Sociedade Brasileira de Dermatolodia Surgical & Cosmetic Dermatology

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ISSN-e 1984-8773

Volume 3 Número 4


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Artigos Originais

Experiência em laserlipólise: casuística de 120 casos no período de 2004 a 2010

Laserlipolysis experience: findings from 120 cases studied from 2004 to 2010


Sandra Tagliolatto1, Vanessa Barcellos Medeiros1, Patrícia Cristiane de Sousa Teresani 1, Oriete Gerin Leite1, Janaína Vilela Filipe1, Carla Bassanezi Mazzaro1, Patrícia Accione Rover1, Renata Rita Oliveira Fernandes1

Mestre em ciências pelo Departamento de
Dermatologia Clínica e Cirúrgica da
Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp) - Campinas (SP), Brasil.1, Médica dermatologista - Campinas (SP),
Brasil.2, Médica dermatologista - Campinas (SP),
Brasil.2, Médica dermatologista - Campinas (SP),
Brasil.2, Médica dermatologista - Campinas (SP),
Brasil.2, Médica dermatologista - Campinas (SP),
Brasil.2, Médica dermatologista - Campinas (SP),
Brasil.2, Mestre em ciências pela Universidade de
São Paulo (USP) e médica cirurgiã plástica
- Campinas (SP), Brasil.8

Data de recebimento: 28/11/2011
Data de aprovação: 06/12/2011

Trabalho realizado em clínica privada - Campinas (SP), Brasil.

Suporte Financeiro: Nenhum
Conflito de Interesses: Nenhum

Correspondência:
Sandra Tagliolatto
Rua Luzitana, 740 4. andar - Bosque
13015-121 - Campinas – SP
E-mail: dermoclinica@dermoclinica.med.br

 

Resumo

Introdução: A laserlipólise é técnica emergente no tratamento da gordura localizada e na retração cutânea. Essa opção terapêutica tem demonstrado vantagens em relação à lipoaspiração convencional, com menor tempo de recuperação pós-operatória e menores efeitos adversos.
Objetivo: Relatar experiência em laserlipólise e avaliar a técnica quanto a sua segurança e eficácia.
Métodos: Estudo retrospectivo de 120 pacientes submetidos a laserlipólise através do uso de dois aparelhos, com diferentes comprimentos de onda, o laser de 1064-nm Nd:YAG e o laser de diodo 924nm/975nm.
Resultados: Houve significativas redução da gordura localizada, definição do contorno corporal e retração da pele em todos os pacientes analisados, segundo seguimento clínico e fotográfico. Cento e oito pacientes revelaram satisfação com o uso do método. Não ocorreram casos de cicatrizes atróficas, hiperpigmentação, hipopigmentação ou infecção.
Conclusões: A laserlipólise realizada com indicação criteriosa oferece aos médicos e pacientes opção terapêutica segura e com alto grau de satisfação no tratamento da gordu- ra localizada e flacidez da pele.

Palavras-chave: LASERS, LIPECTOMIA, GORDURA SUBCUTÂNEA, COLÁGENO

INTRODUÇÃO

A laserlipólise é técnica recente. Em outubro de 2006, o Food and Drug Administration (FDA) aprovou o primeiro apa- relho para ser utilizado no tecido subcutâneo, o laser Nd:YAG de 1064nm.

Esse novo procedimento consiste na aplicação do laser diretamente no tecido adiposo com a finalidade de derreter a gordura e, simultaneamente, estimular a neoformação de coláge- no dérmico. 1

Atualmente a laserlipólise é reconhecida como método efetivo para o tratamento da remoção de gordura e melhora do contorno corporal e da face. 2

Embora não pretenda ocupar o lugar da liposuccção con- vencional 3,4 a laserlipólise oferece aos pacientes resultado clínico similar, e promove o benefício adicional da retração cutânea - skin tightening -, assim como proporciona rápida recuperação, com menos dor no pós-operatório em relação à lipoaspiração clássica. 5,6

O mecanismo de ação da laserlipólise baseia-se no clássico princípio da fototermólise seletiva. Assim, a energia liberada pelo laser converte-se em calor ao atingir seus tecidos-alvo ou cro- móforos: a gordura e o colágeno. Ocorre então termolipólise e desnaturação das fibras colágenas, mantendo-se a arquitetura septal, o que contribui para o aumento da retração cutânea. 2 É importante notar que, com o uso do laser, ocorre adicionalmen- te a coagulação de pequenos vasos subcutâneos, reduzindo as perdas sanguíneas e as equimoses. 1

O coeficiente óptico para o tecido de gordura foi determi- nado entre 400nm e 1500nm, e o dano irreversível do adipócito parece ser similar nos comprimentos de onda entre 920nm e 1320nm. Dessa forma, existem atualmente diversos lasers com diferentes comprimentos de onda para a execução do procedi- mento laserlipólise. 7 Em diversos estudos publicados, a avaliação desses diferentes lasers tem demonstrado que a remoção de pequenos volumes de gordura, associada à retração cutânea, pode ser realizada de maneira segura e efetiva, tendo como benefícios adicionais excelente tolerância e rápida recuperação. 2,5,8-10

A otimização da adipocitólise e o estímulo das fibras colá- genas depende da quantidade de energia térmica acumulada no tecido, por meio da aplicação sustentada e lenta através de cânu- la interna com fibra óptica acoplada, de modo a manter a tem- peratura local entre 40º e 42º Celsius. 7,11

Estudos histológicos sugerem benefícios com o laser, como a destruição das células de gordura, retração da pele e redução do sangramento intraoperatório12 (Figura 1). Alguns autores, entre- tanto, ainda se mantêm céticos sobre a alta eficácia da laserlipóli- se e referem incertezas sobre o comprimento de onda ideal. 13

Com o uso do laser Nd:YAG de comprimento de onda de 1064nm, estudos clínicos e histológicos descreveram significan- te contração da pele após três meses do procedimento e aumen- to das fibras colágenas; também foi observada coagulação dos vasos sanguíneos e da lise dos adipócitos. 14,15

A eficácia e a segurança do laser de diodo 924nm (compri- mento de onda específico para a gordura) associado ao compri- mento de onda de 975nm (com função de aquecimento dérmi- co), foram avaliadas, em diversas partes corporais, no tratamento da redução de gordura e na promoção da retração cutânea. Foi descrita alta tolerabilidade ao tratamento, com mínimos e tran- sitórios efeitos colaterais - como eritema, equimoses e edema - e alto nível de satisfação dos pacientes. 9

Independentemente do comprimento de onda utilizado, a avaliação da eficácia do tratamento na diminuição da gordura e na melhora da elasticidade cutânea é descrita como mais bem observada após o terceiro mês de pós-operatório, por diversos autores. 6,9,14-16

Também se torna necessário ressaltar que muitas vezes, posteriormente à passagem do laser, é realizada a aspiração da gordura liquefeita. 11,16

Em relação aos efeitos colaterais observados na execução da laserlipólise, os mais comumente observados são: desconforto, equimoses, eritema e edema, com resolução em até uma sema- na após o procedimento, sendo que os pacientes se apresentam geralmente aptos a retornar a suas atividades rotineiras em 24 horas. 5,15,14

Nenhuma complicação sistêmica foi descrita, e as poucas locais foram infecções locais e queimaduras cutâneas. 1,17

O objetivo deste estudo é a descrição da técnica cirúrgica e a avaliação do perfil de segurança e eficácia da laserlipólise em diferentes áreas corporais, com base na utilização de dois dife- rentes lasers, em 120 pacientes submetidos ao procedimento ao longo de sete anos de experiência.

MÉTODOS

Foi realizado um estudo retrospectivo que incluiu a avalia- ção do prontuário de 120 pacientes (10 homens e 110 mulhe- res), com faixa etária variando de 22 a 68 anos de idade, subme- tidos a laserlipólise, em clínica privada, no período compreendi- do entre 2004 e 2010.

O laser Nd:YAG de 1064nm (SmartLipo®, Deka, Itália), foi utilizado em 60 casos, e o laser diodo 964nm/975nm, (SlimLipo®, Palomar, EUA), nos outros 60 casos. Cabe ressaltar que os autores, neste estudo, não tiveram a intenção de fazer comparação entre os lasers em questão.

Lasers
Na utilização do laser Nd:YAG de 1064nm os parâmetros de energia eram fixos (6W - 40Hz - 150mJ), conforme orien- tação da empresa, modificando-se apenas a quantidade de ener- gia acumulada: foi mantida a média de energia acumulada de 2000J por área aproximada de 20cm2, no subcutâneo.

No caso do laser de diodo de 924nm/975nm, os parâme- tros (potência e energia acumulada) foram selecionados de acor- do com a área tratada, variando de no mínimo 10KJ de energia acumulada, no caso de pequenos depósitos de gordura submen- toniana, até 80KJ, no caso de abdômens volumosos. Utilizaram- se, nesses casos extremos, padrões mínimos de energia dos lasers 924nm/975nm (em torno de 10W/12W) no caso das pequenas papadas, até parâmetros altos (20W/20W), nos abdômens mais globosos. Porém, de maneira geral, a escolha dos parâmetros baseou-se em tabela fornecida pela empresa responsável pelo laser em questão.

Em ambos os lasers, a quantidade de energia acumulada foi alterada, na dependência do tamanho da área tratada e da tole- rância do paciente.

Regiões corporais tratadas
Diferentes áreas foram tratadas, muitas vezes no mesmo paciente, porém nem sempre no mesmo ato cirúrgico. Muitos pacientes repetiram o tratamento em outra área, em outra oca- sião, totalizando 218 procedimentos distribuídos da seguinte maneira: abdômen (28 casos com o laser Nd:YAG e 44 casos com o laser de diodo), flancos (24 casos com o laser Nd:YAG e 30 casos com o laser de diodo), culotes (seis casos com o laser Nd:YAG e oito casos com o laser de diodo), face interna da coxa (dois casos com o laser Nd:YAG e seis casos com o laser de diodo), região infraglútea (dois casos com o laser Nd:YAG e 12 casos com o laser de diodo), região anterior da coxa e joelhos (dois casos com laser de diodo), região glútea (quatro casos com laser Nd:YAG e quatro casos com laser de diodo), dorso (seis casos com laser Nd:YAG e quatro casos com laser de diodo), trí- ceps (quatro casos com laser Nd:YAG e seis casos com laser de diodo), submento (dez casos com laser Nd:YAG e 12 casos com laser de diodo), ginecomastia (dois casos com laser de diodo), pálpebras inferiores (dois casos com laser Nd:YAG) (Gráfico 1).

Cuidados pré-operatórios
Todos os pacientes foram submetidos a rigorosa anamnese, questionados sobre comorbidades e uso de medicamentos. Exames laboratoriais foram solicitados: hemograma completo, coagulograma, beta HCG, se adequado ao caso, glicemia de jejum, proteinograma, e exames específicos a cada caso particu- lar, como sorologias virais, colesterol e triglicérides, função renal e/ou hepática, ultrassom abdominal, avaliação cardiológica, etc.

Termos de consentimento pré-informado e de orientações pré e pós-tratamento foram fornecidos aos pacientes, informan- do-os sobre o procedimento em questão e orientando a respei- to do uso de medicamentos (antibióticos profiláticos e analgési- cos, se necessário), do uso de cintas compressivas e das restrições à exposição solar e atividade física rigorosa, assim como sobre a evolução natural de recuperação do procedimento.

Após as fotografias das áreas demarcadas, utilizando-se iguais parâmetros de iluminação e posicionamento, os pacientes foram pesados e medidos com fitas métricas apropriadas.

Técnica cirúrgica
Em sala cirúrgica ambulatorial, os pacientes foram subme- tidos à mensuração da pressão arterial (antes, durante e após o procedimento), assim como à utilização de oxímetro de pulso, para melhor acompanhamento dos sinais vitais.

Em todos os casos, botão anestésico e posterior pertuito foi realizado com lâmina de bisturi número 15 no local mais apro- priado, a fim de permitir bom acesso à área demarcada. A anes- tesia tumescente de Klein infiltrada sob bomba de infusão (1.000ml de soro fisiológico a 0,9% + 1ml de adrenalina 1/1000 + 25ml de lidocaína a 2% sem vasoconstrictor + 10ml de bicar- bonato de sódio a 10%) foi a técnica anestésica escolhida em todos os procedimentos, respeitando-se o volume máximo con- forme o peso do paciente. 18

Em nossa casuística, o maior volume utilizado da solução anestésica proposta por Klein foi de 2.000ml, aquém da dose máxima, de 35mg/kg (se realizada aspiração). 18

O preparo do laser através da montagem de suas fibras e o ajuste dos parâmetros, de acordo com cada caso, foi realizado enquanto se aguardava a ação da anestesia.

Após a obtenção da vasoconstrição local, pela anestesia tumescente, foi introduzida microcânula de fibra óptica no sub- cutâneo, utilizando-se o mesmo pertuito da anestesia. A cânula foi movimentada lentamente para frente e para trás, promoven- do distribuição uniforme de energia na área a ser tratada. A tem- peratura cutânea foi aferida com termômetro óptico externo.

Quando alcançados os parâmetros estabelecidos e sentido o "amolecimento" da gordura na área de atuação do laser, sua apli- cação foi suspensa. Na maioria dos casos, procedeu-se à aspira- ção da gordura "derretida" através de cânulas finas de lipoaspira- ção e baixa pressão, observando-se produto gorduroso fluido, menor sangramento e consequentemente, maior facilidade na execução da aspiração.

Observe-se que a opção pela aspiração baseou-se na ocor- rência de maior volume de gordura e nas características psicoló- gicas de cada paciente com maior premência por resultados. Nos casos de flacidez cutânea sem quantidade expressiva de gordura localizada não foram realizadas aspirações após o laser.

Em cada paciente foi realizada drenagem do restante do líquido acumulado no subcutâneo, até o orifício de entrada e, finalmente, sua sutura.

Ao final do procedimento, foi colocado curativo compres- sivo sobre o orifício cutâneo, e liberado o paciente para sua resi- dência, sempre acompanhado.

Cuidados pós-operatórios
Após 24 horas da intervenção cirúrgica, todos os pacientes voltaram a sua rotina, com exceção de atividades físicas mais vigo- rosas e exposição solar. Foi orientado o uso de malhas compressi- vas comerciais específicas para cada área durante período que variou de duas semanas (região submentoniana) a quatro semanas (região abdominal, flancos e culotes). Em sete dias retornaram para o primeiro controle fotográfico e retirada dos pontos.

Drenagem e uso de ultrassom de 3Mhz (Manthus ®, KLD) no pós-operatório foram recomendados, e agendados retornos (sete dias, um, dois, três e seis meses), quando se puderam acom- panhar o retrocesso do processo inflamatório, traduzido por edema e áreas de fibrose, e a gradativa melhora do contorno cor- poral, através de exame clínico e fotografias padronizadas.

RESULTADOS

Entre 2004 e 2010 foram tratados 120 pacientes, envolvendo 218 procedimentos realizados em distintas áreas corporais. As regiões submetidas a laserlipólise com mais frequência foram abdômen, flan- cos, região infraglútea, culotes e região submentoniana (Gráfico 1).

Nos subsequentes retornos dos procedimentos, observou- se aos exames clínico e fotográfico comparativo, significativa redução da gordura na área tratada, assim como a correção do contorno e retração da pele na região corporal da aplicação. A maioria dos pacientes referiu resultado satisfatório já no primei- ro retorno, porém com gradual resposta ao longo dos meses, principalmente após o terceiro mês, quando se observou melho- ra em todos os pacientes (Figuras 2, 3, 4, 5, e 6).

Em relação a efeitos adversos, não foram observadas cica- trizes, infecções, hipo ou hiperpigmentações. Edema e equimo- ses foram observados, em diferentes intensidades, proporcionais ao porte do procedimento, em 100% dos pacientes, porém com resolução espontânea, em prazo de uma a quatro semanas.

Pequenas áreas com fibrose foram observadas na maioria dos pacientes, porém com resolução espontânea ou após o uso do ultrassom local, nos primeiros meses após o procedimento.

Os pacientes foram consultados quanto ao grau de satisfa- ção, constatando-se taxa de respostas positivas de 90% (108 pacientes) (Gráfico 2). Os 12 pacientes que referiram resultados insatisfatórios obtiveram, porém, sempre algum grau de melho- ra. A respeito desses pacientes especificamente, concluiu-se que houve má indicação da laserlipólise em quatro casos, visto o excesso de gordura e flacidez da pele. Em três casos, o perfil psi- cológico não foi favorável ao tipo de procedimento, e nos outros cinco casos houve expectativas irreais quanto à técnica e a seus resultados, esperando-se alta resolutividade com um único trata- mento (Gráfico 3).

Com exceção de quatro casos, foram feitas complementa- ções com a mesma técnica, obtendo-se melhora do resultado final. Em dois casos sugeriu-se o uso de técnicas complementa- res como o laser de diodo de baixa potência (Tri-active®, Deka, Itália) ou com radiofrequência (Reaction®, Viora, EUA) e tam- bém se obteve melhora do quadro final. Dois dos pacientes insa- tisfeitos com o resultado final não retornaram para seguimento.

Resta ressaltar que o número de pacientes insatisfeitos com os resultados do procedimento foi semelhante com os dois lasers utilizados.

DISCUSSÃO

A técnica da aplicação da laserlipólise requer aprendizado específico e constante cuidado em sua execução, porém quando realizada de maneira criteriosa geralmente atinge seus objetivos e oferece aos médicos e pacientes alto grau de satisfação. 9,15,17

Neste trabalho retrospectivo, os dois aparelhos utilizados, mostraram-se eficazes e seguros, embora possuam suas peculia- ridades, como a cânula de fibra óptica do laser de diodo 924nm/975nm, que por ser mais flexível, facilita o processo de execução do procedimento. Há, porém, o inconveniente de ser de uso único e não poder ser reutilizada, o que onera o proce- dimento.

Embora existam poucos estudos na literatura sobre laserli- pólise, a técnica tem demonstrado resultados similares aos da lipoaspiração convencional para diversas áreas corporais. As van- tagens dessa nova técnica são a possibilidade de promover a retração cutânea, menor tempo de recuperação e menor desgas- te físico ao cirurgião, uma vez que a ação térmica torna mais fácil o deslizamento da cânula. 9,13,19

A diminuição do trauma cirúrgico pós-operatório está provavelmente associada à capacidade de coagulação dos peque- nos vasos do tecido adiposo e ao menor diâmetro das cânulas utilizadas no procedimento. 19

Os achados deste estudo concordam com os dados da lite- ratura quanto ao grau de satisfação com a laserlipólise. Katz et al. 1 avaliaram 537 procedimentos de laserlipólise concluindo ser técnica segura e eficaz na remoção de gordura localizada. DiBernardo4 encontrou significância estatística na superiorida- de da retração cutânea da laserlipólise em relação à lipoaspiração convencional.

Ressalta-se também a ausência de complicações sistêmicas ou graves nessa casuística, assim como outros efeitos adversos como queimaduras, sangramentos ou infecções, achado também concordante com a literatura. 1,5,15-17

A eficácia da técnica, assim como sua segurança, parece estar relacionada à quantidade de energia acumulada no tecido- alvo e, consequentemente, à variação da temperatura local, que deve se situar entre 40º e 42º Celsius. 7,11,13,14,17

Acreditamos que estudos sobre a definição da temperatura final ideal irão ajudar a atingir melhores resultados com um proce- dimento que já hoje obtém alto grau de satisfação dos pacientes.

CONCLUSÕES

Com base na experiência acumulada no uso dos lasers para o tratamento da laserlipólise e apoiados na literatura afim, pode- mos afirmar que a laserlipólise é procedimento eficaz e seguro no tratamento da redução da gordura localizada e da retração cutânea.

A precisa indicação cirúrgica e a correta orientação do paciente quanto à técnica e às limitações do procedimento são condutas fundamentais para um alto grau de satisfação entre médicos e pacientes.

Estudos prospectivos controlados sobre a laserlipólise são necessários para o aperfeiçoamento da técnica e para a otimiza- ção dos parâmetros, visando ao aumento da eficácia e segurança do procedimento.

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