Sociedade Brasileira de Dermatolodia Surgical & Cosmetic Dermatology

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ISSN-e 1984-8773

Volume 3 Número 3


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Artigos Originais

Comparação do fototipo entre caucasianos e orientais

Phototype comparison between caucasian and asian skin types


Heliane Sanae Suzuki1, Mariana Hammerschmidt1, Patricia Kakizaki1, Maira Mitsue Mukai1

Residente do Serviço de Dermatologia do
Hospital de Clínicas da Universidade
Federal do Paraná (HC-UFPR) – Curitiba
(PR), Brasil.1, Residente do Serviço de Dermatologia do
Hospital de Clínicas da Universidade
Federal do Paraná (HC-UFPR) – Curitiba
(PR), Brasil.1, Médica formada pela Universidade Federal
do Paraná (HC-UFPR) – Curitiba (PR), Brasil.3, Médica voluntária do Serviço de
Dermatologia do Hospital de Clínicas da
Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR)
– Curitiba (PR), Brasil.4

Data de recebimento: 13/09/2011
Data de aprovação: 22/09/2011

Trabalho realizado no Hospital de Clínicas da
Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR) –
Curtiba (PR), Brasil.

Conflitos de Interesses: Nenhum
Suporte Financeiro: Nenhum

Correspondência:
Heliane Sanae Suzuki
Rua General Carneiro, 181 SAM 4 -
Alto da Glória
80060-900 - Curitiba - PR
E-mail: helianesuzuki@yahoo.com.br

 

Resumo

Introdução: A avaliação da resposta cutânea à exposição à radiação ultravioleta tem gran- de importância na prática dermatológica. De uma variedade de métodos, a classificação dos fototipos de pele de Fitzpatrick é a mais utilizada. Simples e prática, permite avaliar o risco de fotodano e câncer de pele, além de auxiliar na definição dos tratamentos com luz. Apesar disso, parece haver considerações em relação aos não caucasianos.
Objetivo: Comparar a avaliação subjetiva do fototipo com a classificação de Fitzpatrick em pacientes caucasianas e orientais.
Métodos: Quarenta e duas mulheres caucasianas e orientais foram classificadas de acor- do com três métodos de avaliação (clínico, Fitzpatrick e Fitzpatrick modificado). Os dados foram coletados através de questionário e analisados por métodos não paramétricos.
Resultados: Na comparação entre a avaliação médica, e as classificações de Fitzpatrick e Fitzpatrick modificada não houve diferença estatisticamente significativa dentro de cada grupo.
Conclusões: Com base nesses resultados, pode-se concluir que os três métodos são equi- valentes na avaliação do fototipo. Estudos com amostra populacional maior ainda serão necessários.

Palavras-chave: PELE, PIGMENTAÇÃO DA PELE, FOTOBIOLOGIA

INTRODUÇÃO

As consultas de pacientes de descendência asiática são fre quentes na dermatologia. O conhecimento da pele dessa raça, de sua anatomia, fisiologia e aspectos peculiares permite melhores abordagem e tratamento desses indivíduos.

A classificação de Fitzpatrick é largamente utilizada para determinar o tipo de pele dos pacientes. Habitualmente, consi- deram-se os asiáticos fototipos IV e V, porém essa afirmação tem sido discutida por alguns autores. 1,2 Por essa razão, objetivou-se comparar a avaliação subjetiva do fototipo com a classificação de Fitzpatrick em pacientes caucasianas e orientais através de um estudo piloto.

MÉTODOS

Trata-se de estudo transversal realizado por meio de coleta de dados e entrevistas. Todos os critérios metodológicos deste tra- balho cumpriram os termos das normas vigentes para pesquisas em seres humanos, a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e a última revisão da Declaração de Helsinque. A pes- quisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do hospital em que foi realizado o estudo.

Foram selecionadas mulheres caucasianas e orientais, estas últimas de forma aleatória em evento que reuniu a comunidade oriental em Curitiba, e as caucasianas no ambulatório de derma- tologia no hospital em que se realizou o estudo. Foram classifi- cadas de acordo com três métodos de avaliação (clínico, e clas- sificações de Fitzpatrick e Fitzpatrick modificada). O critério de inclusão no grupo das orientais era possuir descendência japo- nesa, chinesa ou coreana.

Todas as participantes responderam a questionário para coleta de dados que consistia em perguntas sobre: descendência materna, descendência paterna, características próprias (cor dos olhos, cor natural dos cabelos, cor da pele nas áreas não expos- tas ao sol, presença de sardas nas áreas expostas, sensibilidade da pele ao sol e grau de bronzeamento). Além disso, as pacientes foram avaliadas quanto ao fototipo por médico do serviço de dermatologia e acadêmico de medicina (classificação subjetiva) e foram enquadradas também segundo as classificações de Fitzpatrick (Quadro 1) e Fitzpatrick modificada (Quadro 2) de acordo com dados fornecidos pelos questionários, que foram respondidos sem a interferência dos pesquisadores.

Os dados coletados dos questionários foram alocados em um banco de dados no programa ExcelÒ e analisados através do teste de Friedman. O nível de significância adotado foi de 5%.

RESULTADOS

Foram analisadas 48 pacientes do sexo feminino (18 orien- tais e 30 não orientais). Das pacientes selecionadas 15 possuíam descendência japonesa tanto materna quanto paterna, e três só descendência japonesa paterna. A média de idade nesse grupo foi de 29 anos (22-38). No grupo das não orientais a descendên- cia principal variou entre italiana, alemã, portuguesa, polonesa, indígena e francesa, e a média de idade foi de 36 anos (22-63).

Na comparação entre a avaliação médica e as classificações de Fitzpatrick e Fitzpatrick modificada através do teste de Friedman não houve diferença estatisticamente significativa den- tro de cada grupo. Caucasiana cr 2 = 0,375, p = 0,93 (Tabela 1 e Gráfico 1) e orientais cr 2 = 3,5, p = 0,182 (Tabela 2 e Gráfico 2).

DISCUSSÃO

Poucos trabalhos na literatura indexada foram publicados sobre as diferenças raciais do ponto de vista dermatológico. A maioria tenta comparar a população caucasiana e a negroide. Excetuando-se aqueles descritos nos periódicos veiculados na Ásia, raros são os estudos com indivíduos asiáticos, embora eles constituam grande parte da população mundial.

Sendo o Brasil um dos maiores países do mundo com des- cendentes orientais, essa população acaba fazendo parte de sig- nificativo número de consultas médicas no território nacional. Além disso, com os processos de migração e miscigenação, torna-se cada vez mais frequente encontrar traços de várias raças nos indivíduos. Por esse motivo, não só para a dermatologia como também para as outras áreas médicas, o conhecimento amplo dos aspectos peculiares de cada raça se faz importante para melhor abordagem dos pacientes.

A avaliação da resposta cutânea à exposição à radiação ultravioleta tem grande importância na prática dermatológica, especialmente em fotodermatoses, fototerapia, fotoenvelheci- mento, fotocarcinogênese e fotoproteção. Também são de gran- de utilidade no planejamento certos procedimentos como cirur- gia, laser, peeling e dermoabrasão. Dos métodos, o fototipo da pele é o mais utilizado, dadas sua simplicidade e praticidade.

A classificação dos fototipos de pele desenvolvida por Fitzpatrick em 1975 avalia a sensibilidade à radiação ultravioleta considerando a capacidade individual de queimar e bronzear. É realizada de forma subjetiva através de questionário respondido de acordo com a autoavaliação do paciente. Divida em seis tipos, per- mite avaliar o risco de fotodano e câncer de pele, além de auxi- liar no tratamento com fototerapia ao estimar a dose eritematosa mínima e a definição dos parâmetros de tratamento com luz. 2-4

O fototipo pode não ser o método que melhor avalia a fotossensibilidade, mais bem determinada pela dose eritematosa mínima de radiação UV segundo Wee et al. 2 Eles também suge- rem que a genética e a influência ambiental podem ter relevância na determinação. Estudos de Satoh e Kawada mostraram diferen- tes respostas à radiação ultravioleta por parte das peles japonesa e caucasian, propondo o Japanese skin type (JST) como método de avaliação. 1,4,5 Outros autores demonstraram que a radiação UVB é mais eritemogênica do que melanogênica em mongoloides. 6

No estudo, observou-se que o fototipo das orientais variou do II ao V conforme o método de avaliação, embora sem dife- rença estatística entre os três métodos. Verificou-se também que a avaliação subjetiva do médico pode discordar dos questioná- rios sobre o comportamento da pele frente à exposição solar. Na população caucasiana, ao contrário, a avaliação médica apresen- tou maior correlação com os demais métodos.

CONCLUSÃO

Diante desses resultados, sugere-se que, na avaliação dos asiáticos em procedimentos estéticos e fototerapia, seja feita aná- lise individual mais detalhada das características da pele e de seu comportamento frente à exposição ultravioleta. Para confirma- ção mais abrangente desses resultados são necessários estudos com amostra populacional maior.

Referências

1 . Park SB, Suh DH, Youn JI. Reliability of self-assessment in determining skin phototype for Korean brown skin. Photodermatol Photoimmunol Photomed. 1998;14(5-6):160-3.

2 . Wee LKS, Chong TK, Koh Soo Quee D. Assessment of skin types, skin colours and cutaneous responses to ultraviolet radiation in an Asian population. Photodermatol Photoimmunol Photomed. 1997;13 (5-6):169-72.

3 . Sachdeva S. Fitzpatrick skin typing: Applications in dermatology. Indian J Dermatol Venereol Leprol. 2009; 75(1):93-6.

4 . Roberts WE. Skin type classification systems old and new. Dermatol Clin. 2009; 27(4):529-33.

5 . Kawada A, Noda T, Hiruma M, Ishibashi A, Arai S. The relationship of Sun protection factor to minimal erytema dose, japanese skin type, and skin color. J Dermatol. 1993; 20(8):514-16.

6 . Kawada A. Risk and preventive factors for skin phototype. J Dermatol Sci. 2000; 23(Supll 1):27-9.

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