Ana Paula Weber; Giulia Maria dos Santos Goedert; Barbara Brunca; Hamilton Ometto Stolf; Paula Tavares Colpas
Fonte de financiamento: Não
Conflito de interesses: Não
Data de submissão: 02/04/2026
Decisão final: 23/05/2026
Como citar este artigo: Weber AP, Goedert GMS, Brunca B, Stolf HO, Colpas PT. Hidradenoma nodular: inovação diagnóstica em um caso raro. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(2):e20260571.
O hidradenoma nodular é um tumor anexial benigno raro, originado das glândulas sudoríparas, que, clinicamente, apresenta-se como uma tumoração que mimetiza lesões malignas primárias ou metastáticas. A dermatoscopia, assim como as características clínicas, revela padrões estruturais que possibilitam amplos diagnósticos diferenciais. A ultrassonografia dermatológica tornou-se um método diagnóstico reconhecido cientificamente para possibilitar o diagnóstico precoce e preciso do hidradenoma, contribuindo para a terapêutica cirúrgica e a análise histopatológica. Este estudo relata um caso raro de hidradenoma nodular com inovação diagnóstica por meio da ultrassonografia de baixa frequência que inclui características clínicas, radiológicas e histopatológicas.
Keywords: Neoplasias cutâneas; Ultrassonografia; Diagnóstico por imagem; Diagnóstico clínico
O hidradenoma nodular é um tumor anexial benigno raro, originado das glândulas sudoríparas, e representa um desafio diagnóstico por mimetizar clinicamente lesões malignas, incluindo o carcinoma basocelular e o melanoma. Há predominância no sexo feminino, com idade média de apresentação aos 37 anos, sendo mais comum no couro cabeludo, face e membros superiores e raro nos membros inferiores. Possui baixo potencial de transformação maligna; porém, seu diagnóstico pode ser atrasado devido aos padrões clínicos e morfológicos variados, incluindo as diversas apresentações histopatológicas e clínicas.1,2 Atualmente, os hidradenomas apócrinos são os mais comuns e são definidos pelo exame histopatológico, visto que não há critérios radiológicos confirmatórios descritos, contribuindo para terapêuticas inadequadas e maior probabilidade de recidiva local.2 Nesse sentido, a ultrassonografia dermatológica, descrita em alguns poucos estudos prospectivos, surge como ferramenta essencial para auxiliar no diagnóstico precoce e preciso, possibilitando a abordagem cirúrgica adequada.3 O caso relatado demonstra uma rara apresentação clínica do hidradenoma nodular no membro inferior (coxa), associada à investigação diagnóstica com ultrassonografia cutânea de alta frequência, com os dois sinais ultrassonográficos característicos descritos pela primeira vez em 2018, possibilitando o tratamento cirúrgico adequado e a avaliação anatomopatológica correspondente. Desse modo, faz-se necessário relatar inovações diagnósticas confirmadas em um caso dermatológico clínico e cirúrgico raro.
Paciente do sexo feminino, 50 anos, apresentava tumoração violácea localizada na face medial da coxa direita com surgimento havia 7 meses, evoluindo com crescimento progressivo e gerando prejuízo à qualidade de vida. Negava afecções cutâneas prévias. Ao exame dermatológico, havia presença de tumoração cística (Figuras 1 e 2), discretamente infiltrada, com transiluminação positiva (Figura 3). À dermatoscopia ultravioleta, observou-se área homogênea rósea central e vasos arboriformes (Figura 4). Foi realizada investigação diagnóstica com ultrassonografia dermatológica utilizando transdutor linear de alta frequência de 22 MHz, evidenciando formação nodular hipoecoica na derme e no subcutâneo, com presença do sinal do globo de neve, também denominado “queda de neve” (Figura 5) e do “nível líquido-líquido” (Figura 6), medindo 2,23 x 2,34 cm. Os achados ultrassonográficos foram sugestivos de hidradenoma nodular. Após a análise conjunta das características clínicas, dermatoscópicas e ultrassonográficas, foi realizada excisão completa da lesão, considerando tratar-se de uma lesão benigna com baixo potencial de malignidade. A avaliação histopatológica descreveu lesão epitelial dérmica, constituída por bloco densamente celular de padrão basaloide, envolto por fibrose com diferenciação ductal apócrina, espaços císticos e conteúdo líquido hialino róseo (Figura 7), compatível com hidradenoma nodular. A paciente mantém acompanhamento com a equipe de dermatologia clínica e cirúrgica, sem sinais de recidiva local e satisfeita com a terapêutica instituída.
O hidradenoma nodular compõe o grupo dos tumores anexiais cutâneos benignos que abrangem amplos diferenciais morfológicos, simulando clinicamente diversos tumores primários e metastáticos. Clinicamente, apresenta-se como um nódulo solitário com áreas císticas e serosas, com predileção pelo couro cabeludo e membros superiores, sendo raríssimo nos membros inferiores, como no caso relatado. O crescimento é lento e, em geral, assintomático. Macroscopicamente, a transiluminação positiva é explicada pelas áreas serosas compostas por líquido iluminado pela luz polarizada do dermatoscópio.1 A dermatoscopia é apresentada na literatura com apresentando área homogênea rósea, estruturas esbranquiçadas e padrão vascular variado, incluindo vasos arboriformes e polimorfos atípicos, mimetizando, na maioria das vezes, o carcinoma basocelular e o melanoma.4
Diante do desafio diagnóstico clínico, a ultrassonografia dermatológica de alta frequência, considerada um método não invasivo vantajoso, foi relevante para o diagnóstico pelos achados característicos de hidradenoma nodular, incluindo o sinal da “queda de neve” e o “nível líquido-líquido”, identificados no presente relato. Tais achados foram descritos pela primeira vez em 2018, em uma série de casos, destacando a importância desse método de imagem. Também é válido ressaltar que não há consenso sobre os critérios diagnósticos e terapêuticos, reforçando ainda mais a importância da ultrassonografia.3 Nesse sentido, a investigação diagnóstica foi imprescindível para determinar a abordagem cirúrgica, caracterizando a exérese justalesional como uma das opções disponíveis, dada a baixa probabilidade de evolução para hidradenocarcinoma. No caso, a cirurgia é considerada curativa, embora haja relatos de recidiva devido à excisão incompleta. O exame histopatológico é considerado o padrão-ouro para o diagnóstico confirmatório, sendo descrito por uma lesão bem circunscrita, composta por espaços sólidos e císticos, permitindo avaliar as estruturas de padrão ductal com células basaloides.2 Para tanto, o diagnóstico preciso nesse caso raro é essencial para o seguimento e a conduta cirúrgica
Relata-se uma neoplasia benigna rara, em localização incomum, cuja ultrassonografia foi fundamental para o diagnóstico e o planejamento cirúrgico. Entretanto, ainda são necessários estudos científicos para consolidar os critérios diagnósticos ultrassonográficos.
Ana Paula Weber
ORCID: 0000-0002-8841-7817
Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.
Giulia Maria dos Santos Goedert
ORCID: 000.0002-6672-0276
Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.
Barbara Brunca
ORCID: 0000-0002-2492-8474
Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.
Hamilton Ometto Stolf
ORCID: 0000-0003-4867-0276
Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.
Paula Tavares Colpas
ORCID: 0000-0002-1389-0749
Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.
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