Sociedade Brasileira de Dermatolodia Surgical & Cosmetic Dermatology

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ISSN-e 1984-8773

Volume 4 Número 2


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Artigos Originais

Versatilidade do Retalho de Limberg nas reconstruções pós-ressecção de tumores em face

Versatility of the Limberg flap in reconstructions after resection of facial tumors


Tiago Sarmento Simão1, Felipe Rodrigues Máximo1, Rafael Ribeiro Pinheiro1, Fellipe Emanuel Amorim Santos Barbosa1, Débora Nassif Pitol1, Leão Faiwichow1

Cirurgião geral; Residente de Cirurgia
Plástica do Hospital do Servidor Público
Estadual de São Paulo – São Paulo (SP),
Brasil.1, Cirurgião geral; Residente de Cirurgia
Plástica do Hospital do Servidor Público
Estadual de São Paulo – São Paulo (SP),
Brasil.1, Cirurgião geral; Residente de Cirurgia
Plástica do Hospital do Servidor Público
Estadual de São Paulo – São Paulo (SP)
Brasil.3, Cirurgião geral; Residente de Cirurgia
Plástica do Hospital do Servidor Público
Estadual de São Paulo – São Paulo (SP),
Brasil.1, Cirurgião geral; Residente de Cirurgia
Plástica do Hospital do Servidor Público
Estadual de São Paulo – São Paulo (SP),
Brasil.1, Cirurgião plástico; Regente do
Departamento de Cirurgia Plástica e
Queimaduras do Hospital do Servidor
Público Estadual de São Paulo – São Paulo
(SP), Brasil.6

Recebido em: 17/03/2012
Aprovado em: 09/05/2012

Trabalho realizado no Departamento de
Cirurgia Plástica e Queimaduras do Hospital
do Servidor Público Estadual de São Paulo –
São Paulo (SP), Brasil.

Suporte financeiro: Nenhum
Conflitos de interesse: Nenhum

Correspondência:
Dr. Tiago Sarmento Simão
R. Capitão Macedo, 171
04021-020 – São Paulo – SP
E-mail: tiagossimao@yahoo.com.br

 

Resumo

Introdução: O retalho de Limberg foi criado em 1946 por Alexander Limberg, para cobertura de defeitos rombóides. A grande vantagem da utilização de retalhos locais na face é a similaridade de cor e textura dos tecidos vizinhos com o local do defeito a ser reparado.
Objetivo: Avaliar a vantagem do retalho de Limberg na face para reconstrução de defeitos gerados após ressecção tumoral.
Métodos: Análise retrospectiva de 12 casos de retalho de Limberg realizados para reconstrução de defeitos gerados após ressecção de tumores na face, no primeiro semestre de 2011, no Serviço de Cirurgia Plástica do HSPE-SP. Resultados: Houve 2 casos de epiteliólise, um deles evoluindo com necrose parcial do retalho, sendo que ambos os casos evoluiram bem com tratamento conservador e troca de curativos diários. Em 1 caso a paciente evoluiu com hematoma no pós-operatório necessitando drenagem cirúrgica e reposicionamento do retalho, evoluindo bem, com apenas pequena retração cicatricial.
Discussão: O desenho do retalho requer precisão, sendo a maior dificuldade a necessidade de desenhar lados iguais com ângulos precisos de 60 e 120 graus.
Conclusões: O retalho de Limberg apresentou bons resultados nos pacientes operados, e devido à sua versatilidade estes resultados podem ser reprodutíveis em várias regiões da face.

Palavras-chave: FACE, RETALHOS CIRÚRGICOS, NEOPLASIAS CUTÂNEAS, RECONSTRUÇÃO

INTRODUÇÃ

O Retalho de Limberg foi criado em 1946 por Alexander Limberg1 para restaurar defeitos rombóides. A grande vantagem da utilização de retalhos (que podem ser simples, duplos ou triplos )2,3 na face é a semelhança de cor e textura dos tecidos com aquelas da área a ser restaurada, levando a melhores resultados cosmeticos assim como a menor risco de contratura quando comparados aos enxertos. Por outro lado, há as desvantagens da maior mobilização de tecidos e da formação de cicatrizes.4,5 O Retalho de Limberg é principalmente indicado na reconstrução de defeitos de tamanho médio na face, quando a reconstrução primária com suturas não é viável. 6,7

OBJETIVO

Avaliar a versatilidade e o resultado estético final da ultilização de Retalhos de Limberg em pacientes submetidos à rescontrução de defeitos resultantes da ressecção de tumores na face.

MÉTODOS

Análise retrospectiva de 12 casos em que o Retalho de Limberg foi utilizado para reconstruir defeitos resultantes de ressecções de tumores na face no primeiro semestre de 2011, no Departamento de Cirurgia Plástica do Hospital do Servidor Público Estadual, em São Paulo.

Após a realização de exames clínicos e laboratoriais préoperativos, todos os pacientes foram submetidos à resecção de tumoures na face. Todas as lesões foram ressecadas com margem de segurança em relação ao plano muscular e amostras foram enviadas para biópsia por congelação.

Todos os pacientes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, autorizando a realização do procedimento e a publicação de imagens fotográficas em periódicos científicos.

A confecção do retalho

O Retalho de Limberg é confeccionado a partir de um defeito rombóide de lados iguais e com âgulos de 60º em seu eixo mais longo (AC) e de 120º em seu eixo mais curto (BD; (BD = AB = BC = CD = AD).1,2,7 (Figura 1) O Retalho de Limberg (CDEF) é formado a partir da borda do defeito através da extensão do eixo mais curto, com distância igual em relação ao ponto E (BD = DE). Uma incisão de comprimento semelhante aos outros lados é realizada a partir do ponto E, paralelamente ao lado DC do defeito, formando um ângulo de 60º com o lado DE.1,2,7

O fechamento é realizado pela transposição do retalho em direção ao defeito através de uma rotação de 60º e da aproximação dos pontos D e F.

Técnica cirúrgica

1. Paciente deitado com a cabeça ligeiramente elevada

2. Desenho preliminar do retalho com caneta de marcação cirúrgica

3. Assepssia com solução alcoólica de clorexidine a 2%

4. Infiltração anestésica com lidocaina e epinefrina (1:200,000 IU) (na ausência de contra-indicação)

5. Ressecção com margem de segurança até o plano profundo seguida de rigorosa hemostasia com eletrocautério

6. Envio do material para biópsia por congelação.

7. Preparação e posicionamento do retalho em relação ao defeito

8. Sutura da pele realizada com fio de nylon 5.0

9. Realização de curativo estéril

RESULTADOS

A idade dos pacientes variou de 60 a 87 anos de idade, com predominância do sexo masculino (8 homens e 4 mulheres). A dimensão dos defeitos resultantes das ressecções variou de 1,2 cm a 2,6 cm (média de 1,7 cm). As lesões localizavam-se primariamente na região zigomática direita, tendo apresentado diagnóstico histopatológico de carcinoma basocelular.(Tabela 1) Todos os pacientes apresentaram margens de ressecção livres e não houve recidiva durante os 6 meses seguintes.

Houve 2 casos de epiteliose, um dos quais evoluiu com necrose parcial do retalho, com ambos os pacientes evoluido satisfatoriamente com tratamento conservador e trocas diárias de curativo. (Tabela 2) Houve um caso de hematoma pós-operatório que exigiu drenagem cirúrgica e reposicionamento do flap, evoluindo satisfatóriamente apenas com leve retração cicatricial.(Figuras 2, 3 e 4

DISCUSSÃO

O Retalho de Limberg possui grande versatilidade e boa aplicabilidade na face, especialmente no reparo de defeitos de tamanho médio (entre 1,5 cm e 3,0 cm), apresentando bons resultados estéticos, pricipalmente quando as cicratrízes estão posicionadas nas junções das unidades estéticas da face. A realização do Retalho de Limberg é fácil, não mobiliza grandes áreas tecido e apresenta baixas taxas de complicações. A marcação do retalho exige precisão e o principal desafio é desenhar lados iguais e ângulos precisos de 60º e 120º. A correta marcação cirúrgica e uma hemostasia intraoperatória adequada são certamente fatores importantes para a redução da taxa de complicações.

CONCLUSÃO

O Retalho de Limberg apresentou bons resultados nos pacientes em que foi utilizado. A versatilidade da técnica, quando combinada ao devido planejamento pré-operatório, à precisão na marcação e ao cuidado no manejo do retalho, permite que resultados igualmente positivos sejam obtidos em diferentes áreas da face.

Referências

1 . Mathematical Principles of Local Plastic Procedures on the Surface of the Human Body. Leningrad: Medgis, 1946.

2 . Design of the Limberg Flap by a Specially Designed Ruler: A Personal Approach. Plast Reconstr Surg. 2004; 113(2):653-58.

3 . The rhombic flap. Plast Reconstr Surg. 1981; 67(4):458-66.

4 . Repair of cutaneous defects after skin cancer surgery. Recent Results Cancer Res. 2002; 160:225-33.

5 . Local tissue flaps in reconstructive facial plastic surgery. Clin Plast Surg. 1995; 22(1):79-89.

6 . Subcutaneous Pedicle Limberg Flap for Facial Reconstruction. Dermatol Surg. 2005; 31(8 pt 1):949-52.

7 . Closure of rhomboid skin defects: The flaps of Limberg and Duformentel. Br J Plast Surg. 1972; 25(3): 300-14.

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