Sociedade Brasileira de Dermatolodia Surgical & Cosmetic Dermatology

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ISSN-e 1984-8773

Volume 3 Número 3


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Novas Técnicas

Técnica minimamente invasiva para correção de lóbulo de orelha totalmente fendido

Minimally invasive technique for repairing complete earlobe cleft


Ana Rosa Magaldi Ribeiro de Oliveira1, Maria Cristina Cardoso de Mendonça1, Ronaldo Figueiredo Machado1, Maria das Graças Tavares Lopes Silva1, Beatriz Julião Vieira Arestrup1

Preceptora de cirurgia dermatológica do
Hospital da Polícia Militar de Minas Gerais
(HPMM) – Belo Horizonte (MG), Brasil.1, Professora voluntária do Serviço de
Dermatologia do Hospital Universitário de
Juiz de Fora – Juiz de Fora (MG), Brasil2, Médico dermatologista em Juiz de Fora (MG), Brasil. 3, Médica dermatologista no Rio de Janeiro
(RJ), Brasil.4, Professora adjunta do Instituto de Ciências
Biológicas, Departamento de Morfologia
da Universidade Federal de Juiz de Fora
(UFJF); pesquisadora do Laboratório de
Imunopatologia e Patologia Experimental,
Centro de Biologia da Reprodução da
Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
– Juiz de Fora (MG), Brasil.5

Data de recebimento: 16/07/2011
Data de aprovação: 08/09/2011

Trabalho realizado no Hospital Universitário
da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
– Juiz de Fora (MG), Brasil.

Conflitos de interesse: Nenhum
Suporte financeiro: Nenhum

Correspondência:
Ana Rosa Magaldi Ribeiro de Oliveira
Rua Santos Barreto, 58 sala 701 - Santo
Agostinho
30170-070 – Belo Horizonte – MG
E-mail: armagaldi@yahoo.com

 

Resumo

Devido a algumas limitações nas técnicas cirúrgicas de correção de lóbulo de orelha fendido, como cicatrizes inestéticas e recidivas, os autores descrevem técnica corretiva minimamente invasiva com base em ponto único de sutura simples, seguido de aplicação de ácido tricloroacético a 90%. Devido à facilidade técnica do procedimento, baixo custo e ótimos resultados, a técnica descrita deve ser considerada opção terapêutica para a correção de lóbulos de orelha totalmente fendidos.Devido a algumas limitações nas técnicas cirúrgicas de correção de lóbulo de orelha fendido, como cicatrizes inestéticas e recidivas, os autores descrevem técnica corretiva minimamente invasiva com base em ponto único de sutura simples, seguido de aplicação de ácido tricloroacético a 90%. Devido à facilidade técnica do procedimento, baixo custo e ótimos resultados, a técnica descrita deve ser considerada opção terapêutica para a correção de lóbulos de orelha totalmente fendidos.

Palavras-chave: ORELHA, DEFORMIDADES ADQUIRIDAS DA ORELHA, TÉCNICAS COSMÉTICAS

INTRODUÇÃO

O lóbulo de orelha é bastante sensível à ruptura devido ao hábito cultural do uso de brincos, muitas vezes pesados para estrutura delicada que não tem o apoio cartilaginoso da orelha.

É comum na prática diária do dermatologista e do cirurgião plástico a procura de correção de lóbulos de orelha fendidos. As diversas técnicas cirúrgicas descritas na literatura para o reparo do lóbulo de orelha totalmente fendido incluem algumas limitações, tais como recidivas, formações de cicatrizes inestéticas, queloides e angulações indesejáveis no contorno do lóbulo. 1-3

Uma técnica simples de correção é descrita pelos autores, com base na aplicação de ácido tricloroacético 90% na fenda, seguida de sutura simples única, em seu extremo distal.

As vantagens da técnica descrita a tornam boa opção para a correção desse tipo de fenda.

MÉTODOS

Paciente do sexo feminino, 49 anos (Paciente A), fototipo II de Fitzpatrick (Figura 1) e paciente do sexo feminino, 33 anos (Paciente B), fototipo IV de Fitzpatrick (Figura 2) apresentavam fenda completa do lóbulo da orelha direita, e nunca haviam sido submetidas a nenhum tipo de tratamento cirúrgico.

Após assepsia local e infiltração anestésica do lóbulo com lidocaína 2% sem epinefrina, o ácido tricloroacético a 90% foi aplicado diretamente na borda das duas partes da fenda através de um palito de madeira, até obtenção de frosting, sem a neces- sidade de neutralização do ácido. As duas partes da fenda foram então aproximadas através de sutura simples única na ponta dis- tal da fenda com monofilamento não absorvível 5.0. Finalmente a fenda foi ocluída com fita microporada, mantida no local durante quatro dias.

As pacientes foram orientadas a retornar semanalmente ao consultório para a aplicação de ácido tricloroacético 90% com palito de madeira dentro da fenda, perfazendo seis aplicações em seis semanas, para ambas as pacientes. A retirada da sutura foi rea- lizada somente após a fenda estar completamente corrigida. As bordas da fenda se encontraram completamente fechadas após a quinta aplicação em ambas as pacientes. A última aplicação do ácido (sexta sessão) foi suficiente para eliminar tendência à inversão das bordas e também para corrigir a angulação da ponta do lóbulo, observadas após a quinta aplicação (Figura 3).

As pacientes foram então acompanhadas mensalmente durante 10 meses. Eritema transitório local foi observado em ambos os casos. Não se observaram queloides ou cicatrizes ines- téticas após o final do tratamento. As pacientes foram liberadas para a realização de novo orifício nos lóbulos tratados após três meses de acompanhamento, e o fizeram ao lado da linha cicatri- cial (Figuras 4 e 5).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Muitas técnicas cirúrgicas já descritas na literatura para a correção de lóbulos fendidos preservam o orifício original, porém este não é o objetivo da técnica aqui descrita, deixando o paciente livre para decidir sobre a realização ou não de novo orifício. 4,5

De Mendonça et al. propuseram técnica não cirúrgica para a correção de lóbulos de orelha semifendidos, usando também o ácido tricloroacético 90% dentro da fenda. A ação do ácido no fechamento da fenda baseia-se na adesão cicatricial do tecido por ele provocada. 6

Na técnica aqui descrita, os autores transformam um lóbu- lo de orelha totalmente fendido em semifendido através da sutu- ra única na ponta distal da fenda, e as aplicações seriadas de ácido tricloroacético seguem o mesmo princípio da adesão cicatricial.

Tendência à inversão das bordas da fenda pode ser observa- da, porém é facilmente corrigida através de outra aplicação do ácido no local, moldando a fenda coaptada.

Os autores consideram essa técnica boa opção de tratamen- to para lóbulos de orelha completamente fendidos devido ao baixo custo, à facilidade técnica e aos bons resultados estéticos e funcionais.

Referências

1 . Blanco-Davila F, Vasconez H-C. The cleft earlobe: a review of methods of treatment. Ann Plast Surg. 1994; 33(6):677-80.

2 . Bastazini I Jr, Bastazini I, de Melo MC, Peres CS, da Silva Biscarde EF. Surgical pearl: dermabrasion for the correction of incomplete cleft earlobe. J Am Acad Dermatol. 2005 ;52(4):688-9.

3 . Herbich G-J. Laser surgery for traumatic incomplete earlobe clefts. Dermatol Surg. 2002; 28(8):761-2.

4 . Hochberg J, Ardenghy M. Repair of Incomplete Cleft Earlobe. Ann Plast Surg. 1996; 37(2):170-2.

5 . Staiano JJ, Niranjan NS. Split Earlobe Repair Using a Double-Flap Technique. Ann Plast Surg. 2001; 47(1):89-91.

6 . De Mendonça MCC, de Oliveira ARMR, Araújo JMF, Silva MGT, Gamonal A. Nonsurgical technique for incomplete earlobe cleft repair. Dermatol Surg. 2009 35(3):1-5.

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