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Expandindo o alcance do retalho East-West: técnica modificada para defeitos paramedianos maiores da ponta nasal

Valery Lynn Turner1; Pablo Vargas Mora2,3; Rubén González Cuevas2,3

DOI: https://doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180585

Fonte de financiamento: Nenhuma
Conflito de interesses: Nenhum
Data de submissão: 22 de maio de 2026
Decisão final: 3 de julho de 2026
Como citar este artigo: Turner VL, Mora PV, Cuevas RG. Expandindo o alcance do retalho East-West: técnica modificada para defeitos paramedianos maiores da ponta nasal. Surg. Cosmet Dermatol. 2026;18(3):e20260585.


Abstract

A reconstrução de defeitos paramedianos da ponta nasal é desafiadora devido à pele espessa e aderente e à mobilidade tecidual limitada nessa região. O retalho de avanço East-West é uma técnica reconstrutiva bem estabelecida, mas seu uso tem sido tradicionalmente limitado a defeitos menores que 1,5 cm. Descrevemos uma modificação que incorpora uma extensão em forma de crescente, orientada superiormente, na base do triângulo de Burow inferior, com o objetivo de redistribuir a tensão durante o fechamento e preservar o tecido saudável adjacente. Essa modificação amplia a aplicabilidade do retalho a defeitos maiores, mantendo a simplicidade da técnica. Nos casos apresentados, a técnica proporcionou resultados estéticos satisfatórios, sem distorção clinicamente aparente da ponta nasal ou outras complicações, representando uma opção reconstrutiva prática para defeitos paramedianos maiores e selecionados da ponta nasal.


Keywords: Cirurgia de Mohs; Retalhos Cirúrgicos; Nariz


INTRODUÇÃO

A reconstrução de defeitos paramedianos da ponta nasal representa um desafio cirúrgico devido à pele espessa e aderente e à mobilidade tecidual limitada na região supraponta.1 O retalho East-West, também conhecido como retalho de avanço horizontal, constitui uma opção reconstrutiva conceitualmente simples e eficaz para essa região; entretanto, seu uso tem sido tradicionalmente limitado a defeitos menores que 1,5 cm.2,3

Descrevemos uma modificação do retalho de avanço East-West para a reconstrução de defeitos paramedianos maiores da ponta nasal após cirurgia micrográfica de Mohs. A técnica modificada incorpora uma extensão em forma de crescente, orientada superiormente, na base do triângulo inferior. Essa modificação preserva o tecido saudável adjacente e, ao mesmo tempo, reduz a tensão excessiva durante o fechamento, ampliando, assim, a aplicabilidade do retalho East-West a defeitos maiores.

 

TÉCNICA

O retalho East-West tradicional envolve o avanço horizontal da pele do dorso nasal e a excisão de dois triângulos de Burow (Figura 1). O triângulo superior estende-se verticalmente acima do defeito, enquanto o triângulo inferior é orientado medialmente em direção à columela. A largura do triângulo superior deve corresponder à largura do defeito, com altura vertical suficiente para evitar a formação de deformidade em cone ao longo do dorso nasal.

Na modificação proposta, a base reta do triângulo de Burow inferior é substituída por um crescente orientado superiormente, que se estende do ponto médio da borda lateral do defeito em direção ao lado contralateral, com comprimento igual à largura horizontal do defeito (Figura 2). A altura do triângulo inferior pode ser ajustada de acordo com o tamanho e a localização do defeito e com as dimensões da ponta nasal. Pontas nasais mais estreitas ou defeitos mais distais podem exigir um triângulo inferior mais curto, medindo 50%–70% da altura do triângulo superior.

O procedimento inicia-se com a excisão do triângulo de Burow superior e do triângulo inferior modificado, com sua base em forma de crescente orientada superiormente. O amplo descolamento no plano abaixo do sistema músculo-aponeurótico superficial (sub-SMAS), abrangendo a ponta e a região supraponta nasal, é fundamental para permitir a avaliação da distorção da ponta durante o avanço do retalho e assegurar o fechamento com tensão mínima.1,5 O retalho resultante, em formato de cone, é então avançado horizontalmente para preencher o defeito. Recomenda-se o fechamento do tecido subcutâneo com fios absorvíveis 4-0 ou 5-0, seguido de fechamento superficial com fios de náilon 6-0 (Figuras 3 e 4).2

O manejo pós-operatório consiste em cuidados conservadores com a ferida. O sítio cirúrgico é higienizado diariamente com solução salina estéril, sem necessidade de curativos especializados. Os pontos de náilon são removidos entre 7 e 10 dias após o procedimento. Após a retirada dos pontos, a cicatriz é mantida com fita de micropore, e um creme hidratante de barreira é aplicado durante 1 mês para favorecer a maturação adequada da cicatriz.

 

DISCUSSÃO

O retalho East-West, inicialmente descrito por Robins e posteriormente por Goldberg, Alam e outros autores, é uma opção reconstrutiva bem estabelecida para defeitos da região supraponta nasal.4 A modificação proposta preserva a simplicidade conceitual do retalho tradicional, ao mesmo tempo que amplia sua aplicabilidade a defeitos maiores da ponta nasal. Ao substituir o triângulo inferior convencional de base reta por um desenho em forma de crescente, a técnica modificada maximiza a preservação do tecido saudável adjacente, ao mesmo tempo que minimiza a tensão durante o fechamento e a distorção do contorno.

Uma possível desvantagem dessa modificação é o estreitamento da ponta nasal no plano horizontal. Entretanto, esse efeito foi discreto em nossos pacientes e considerado esteticamente aceitável. Na avaliação pós-operatória, não foram observados abaulamento do retalho (pincushioning) nem deformidade clinicamente aparente da ponta nasal. O acompanhamento aos 3 e 6 meses demonstrou resultados estéticos satisfatórios.

Diversas técnicas alternativas estão disponíveis para a reconstrução de defeitos da ponta nasal, cada uma com vantagens e limitações específicas. O retalho bilobado proporciona mobilidade tecidual considerável por meio de dupla transposição, mas pode resultar em linhas de sutura mais extensas, deformidade em alçapão (trapdoor) e irregularidades do contorno. O retalho nasojugal crescente constitui outra opção eficaz, mas requer incisões que se estendem ao longo do sulco alar, as quais podem ser mais difíceis de esconder.4,5 O retalho frontal paramediano permanece uma importante opção reconstrutiva para defeitos maiores ou mais complexos; entretanto, geralmente requer um procedimento em duas etapas e implica maior complexidade reconstrutiva.

 

CONCLUSÃO

O retalho de avanço East-West modificado representa uma opção reconstrutiva promissora para defeitos paramedianos maiores e selecionados da ponta nasal. Os casos apresentados sugerem que essa modificação pode proporcionar resultados estéticos e funcionais favoráveis, preservando o contorno nasal e o tecido saudável adjacente. Estudos adicionais, com maior número de pacientes e períodos de acompanhamento mais longos, são necessários para confirmar esses achados e definir melhor as indicações e limitações dessa técnica.

 

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES:

Valery Lynn Turner
ORCID:
0000-0002-2195-5725
Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito
Pablo Vargas Mora
ORCID:
0000-0002-9388-2940
Aprovação da versão final do manuscrito, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Revisão crítica do manuscrito
Rubén González Cuevas
ORCID:
0000-0003-1707-7373
Aprovação da versão final do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica do manuscrito

 

REFERÊNCIAS:

1. Boyette JR. Reconstruction of a nasal tip defect, East-West advancement flap. In: Stack BC, Moreno MA, Boyette JR, Vural EA, editors. Matrix head and neck reconstruction. Cham: Springer International Publishing; 2023. p. 255–7.

2. Geist DE, Maloney ME. The "East-West" advancement flap for nasal defects: reexamined and extended. Dermatol Surg. 2012;38:1529–34.

3. Magliano J, Abelenda MP, Navarrete J, Bazzano C. East-West flap after Mohs micrographic surgery. Actas Dermosifiliogr Engl Ed. 2019;110:759–62.

4. Goldberg LH, Alam M. Horizontal advancement flap for symmetric reconstruction of small to medium-sized cutaneous defects of the lateral nasal supratip. J Am Acad Dermatol. 2003;49:685–9.

5. Durbec M, Disant F. Reconstruction of lateral defects of the tip and supratip less than 1.5 cm in diameter. Eur Ann Otorhinolaryngol Head Neck Dis. 2016;133:59–61.


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