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Artigo Original

Eficácia da pomada de Centella asiatica a 1% em mulheres com melasma: Um estudo sobre o Melasma Area and Severity Index (MASI) e a satisfação do paciente

Cintyadewi Wignjosoesastro; Diah Adriani Malik; Puguh Riyanto

DOI: https://doi.org/10.5935/scd1984-8773.2025170517

Fonte de financiamento: Nenhuma
Conflito de interesse: Nenhum
Data de submissão: 25/09/2025
Decisão final: 15/10/2025
Como citar este artigo: Wignjosoesastro C, Malik CA, Riyanto P. Eficácia da pomada de Centella asiatica a 1% em mulheres com melasma: Um estudo sobre o Melasma Area and Severity Index (MASI) e a satisfação do paciente. Surg Cosmet Dermatol. 2025;17:e20250517.


Abstract

INTRODUÇÃO: O melasma é uma dermatose crônica caracterizada por manchas hiperpigmentadas irregulares.
OBJETIVOS: Avaliar a eficácia da Centella asiatica (CA) tópica no tratamento do melasma, utilizando o Melasma Area and Severity Index (MASI) e a satisfação do paciente.
MÉTODOS: Este ensaio clínico randomizado (ECR) simples-cego comparou a pomada de CA a 1% com o creme de hidroquinona a 4% por 8 semanas, acompanhado do uso diário de protetor solar. O escore MASI e a satisfação do paciente foram medidos antes e depois do tratamento, com os efeitos adversos monitorados durante todo o tratamento.
RESULTADOS: O grupo CA apresentou maior redução do escore MASI, mas a diferença não foi estatisticamente significativa. Os níveis de satisfação do paciente foram semelhantes entre os dois grupos, com uma melhora ligeiramente menor no grupo CA.
CONCLUSÃO: Tanto a CA quanto a hidroquinona reduziram significativamente os escores MASI após 8 semanas, sem diferença significativa na eficácia ou na satisfação do paciente. A CA pode ser considerada uma alternativa viável para pacientes que buscam resultados terapêuticos comparáveis com menor risco de irritação.


Keywords: Creme para a Pele; Melanose; Satisfação do Paciente


INTRODUÇÃO

O melasma é uma dermatose crônica caracterizada por manchas hiperpigmentadas irregulares, que em geral ocorrem de forma simétrica nas regiões centrofacial, malar e mandibular. A condição afeta aproximadamente 33% da população global, particularmente mulheres em idade reprodutiva em regiões tropicais. Sua patogênese é multifatorial e envolve exposição solar, influências hormonais, predisposição genética e diversos fatores externos.1 A gravidade muitas vezes é avaliada por meio de escores da escala Melasma Area and Severity Index (MASI) e de satisfação do paciente com instrumentos como a Escala Analógica Visual (EAV).2,3

Os tratamentos de primeira linha para melasma incluem fotoproteção e terapias tópicas, sendo a hidroquinona o padrão-ouro tradicional, apesar de seus efeitos adversos significativos. Por consequência, alternativas como ácido tranexâmico, ácido azelaico e metformina têm sido exploradas. A Centella asiatica (CA), planta conhecida por suas propriedades cicatrizantes, anti-inflamatórias e antioxidantes, demonstrou potencial como agente despigmentante natural, devido a compostos ativos (por exemplo, asiaticosídeo) que inibem a melanogênese. No entanto, até o momento, nenhum estudo experimental avaliou a eficácia da CA tópica para o melasma utilizando escores MASI e de satisfação do paciente.

 

OBJETIVOS

Este estudo utiliza escores MASI e de satisfação do paciente para avaliar a eficácia da CA tópica no tratamento do melasma.

 

MÉTODOS

Este ensaio clínico randomizado (ECR), simples-cego (cego para os participantes), empregou um desenho de tratamento e controle com avaliação pré e pós-intervenção em dois grupos. O estudo foi conduzido na Clínica de Dermatologia e Venereologia do Diponegoro National Hospital, em Semarang, Indonésia, e recebeu aprovação do comitê de ética da instituição. Um total de 40 participantes com 18 anos ou mais, portadoras de melasma e fototipos de Fitzpatrick III–IV, conforme determinado pela avaliação clínica e exame com luz de Wood, foram incluídas. Foram excluídas participantes com histórico de hipersensibilidade à hidroquinona, plantas da família Apiaceae ou protetor solar, ou presença de lesões com infecção ativa na face. O estudo também excluiu participantes com histórico de uso de medicação tópica para melasma facial nos 14 dias anteriores, realização de procedimentos estéticos faciais (por exemplo, laser, dermoabrasão ou peeling químico) nos últimos 3 meses, gestação ou lactação, ou uso atual de contraceptivos. Todas as participantes forneceram consentimento informado por escrito. Utilizando o método de loteria, as participantes foram divididas entre dois grupos, A e B, cada um com 20 participantes. A seleção das participantes utilizou amostragem por conveniência, com seleção não probabilística. No Grupo A, as participantes foram orientadas a aplicar pomada de CA a 1%; no Grupo B, foram orientadas a aplicar creme de hidroquinona a 4%.

Todos os produtos utilizados neste estudo são registrados na Agência Nacional de Vigilância de Alimentos e Medicamentos da Indonésia (BPOM), garantindo a segurança das pacientes e a conformidade com os padrões éticos.

Embora pomadas e cremes apresentem diferenças em suas propriedades físicas e grau de oclusividade, essas variações não necessariamente afetam a efetividade terapêutica. A concentração de 1% de CA foi escolhida com base em dados publicados que demonstram eficácia tópica na faixa de 0,5%–1%. Nessa concentração, a CA demonstrou promover a cicatrização, estimular a proliferação de fibroblastos e aumentar a síntese de colágeno ao mesmo tempo que mantém um perfil de segurança favorável.

O ingrediente ativo é derivado de um extrato padronizado de CA que contém triterpenoides bioativos como asiaticosídeo, madecassosídeo, ácido asiático e ácido madecássico, amplamente conhecidos na dermatologia por suas propriedades regenerativas e reparadoras.

Todas as participantes foram orientadas a aplicar suas respectivas formulações sobre a área afetada do rosto à noite e protetor solar FPS 30 pela manhã, diariamente, por 8 semanas. As participantes foram observadas antes do tratamento e 8 semanas após. Também foram fotografadas antes e após o tratamento e seus escores MASI e de satisfação do paciente foram registrados em cada consulta. Durante o tratamento, os efeitos adversos foram registrados e tratados de acordo com os protocolos padrão. A inserção de dados e a análise estatística foram realizadas no software SPSS versão 27.

 

RESULTADOS

As características gerais da população do estudo estão apresentadas na Tabela 1. A idade média (DP) nos Grupos A e B foi de 49,3 (6,88) e 51,95 (8,82) anos, respectivamente. No Grupo A, o nível educacional foi ensino básico em 1 participante (5%), ensino secundário em 11 (55%) e ensino superior em 8 (40%). Enquanto isso, no Grupo B, não houve participantes com apenas ensino básico; 10 (50%) tinham ensino secundário e 10 (50%) tinham ensino superior. No Grupo A, 50% das participantes eram donas de casa, 45% trabalhavam no setor privado e 5% eram servidoras públicas. No Grupo B, 30% eram donas de casa, 60% trabalhavam no setor privado, 5% eram servidoras públicas e 5% eram funcionárias de uma empresa estatal.

Os escores MASI basais (semana 0) e na semana 8, bem como a diferença nos escores MASI entre os dois grupos, se encontram na Tabela 2. O escore MASI basal no Grupo B foi de 4,49 (2,85), diminuindo para 2,61 (1,65) na semana 8. No Grupo A, o escore MASI basal foi de 8,21 (6,19), diminuindo para 4,66 (4,44) na semana 8. Ambos os grupos apresentaram redução significativa nos escores MASI após 8 semanas (p < 0.05), indicando que ambos os tratamentos foram eficazes (Figuras 1 e 2). Embora o Grupo A tenha apresentado uma maior redução nos escores MASI em comparação com o Grupo B (-3,55 vs. -1,88), a diferença não foi estatisticamente significativa (p = 0,132).

No Grupo A, o escore EAV aumentou de 2,35 (1,08) para 3,75 (1,07), e a melhora foi altamente significativa (p < 0,001). No Grupo B, o escore EAV médio aumentou de 2,25 (0,91) na linha de base para 3,45 (1,19) na semana 8, uma melhora estatisticamente significativa (p = 0,006). A mudança média (DP) nos escores EAV foi de 1,4 (1,35) no Grupo A e 1,2 (1,73) no Grupo B. No entanto, essa diferença não foi estatisticamente significativa (p = 0,687) na Tabela 3.

As queixas associadas à hidroquinona e à CA são apresentadas na Tabela 4. No total, 80% do Grupo A e 65% do Grupo B não relataram queixas. Prurido e vermelhidão foram mais frequentes no Grupo B (15%) em comparação com o Grupo A (5%). Acne foi relatada apenas no Grupo B (15%).

 

DISCUSSÃO

A idade média (DP) no grupo CA foi de 49,3 (6,88) anos, e de 51,95 (8,82) anos no grupo hidroquinona, variando de 33 a 68 anos. Isso é semelhante às populações de estudos anteriores de Viorizka et al. e Hussain et al., nos quais a faixa etária variou da segunda à sexta década de vida.4 A faixa etária mais comum foi de 46 a 55 anos (49,4%).5

Não houve diferenças significativas entre os grupos em termos de escolaridade. Baixo nível educacional está associado à falta de conhecimento sobre fotoproteção, um fator de risco importante para o melasma. Um estudo relatou que populações africanas têm menor probabilidade de usar protetor solar, apesar de maior predisposição a distúrbios pigmentares.6

Quanto à ocupação, as participantes apresentaram características semelhantes à população do estudo de Seetan et al., no qual mais da metade das participantes eram donas de casa (59,3%).6 Viorizka et al. também relataram que a maioria dos participantes de seu estudo eram donas de casa (40,7% ou 33 participantes).5

A CA pode estimular a proliferação de fibroblastos e aumentar a síntese de colágeno e fibronectina intracelular, contribuindo para melhorar a tensão da pele.7 Kwon et al. demonstraram a atividade anti-melanogênica da CA.8 Um estudo in vitro utilizando fibroblastos dérmicos humanos constatou que a CA afetou de forma significativa a deposição de proteínas da matriz extracelular, estimulou a proliferação de fibroblastos, aumentou a síntese de colágeno e reduziu a atividade de metaloproteinases, favorecendo assim a deposição de colágeno.9

A avaliação da resposta terapêutica e da melhora clínica no melasma é importante. O escore MASI é composto por três indicadores: área da lesão (A), intensidade da pigmentação (D) e homogeneidade da hiperpigmentação (H).2 Neste estudo, no grupo CA, o escore MASI basal foi de 8,21 (6,19) e de 4,66 (4,44) na semana 8. A redução média (DP) dos escores MASI foi maior no grupo CA (-3,55 [3,17]) em comparação com o grupo controle (-1,88 [2,13]). No entanto, essa diferença não foi estatisticamente significativa.

Este estudo encontrou uma diferença significativa nos escores EAV antes e após o tratamento no grupo CA (p = 0,002; p < 0,05), indicando aumento da satisfação do paciente após a intervenção. Isso sugere que a CA tópica melhora de forma significativa a satisfação dos pacientes no grupo de tratamento (p < 0,001). Clinicamente, observou-se uma tendência positiva na satisfação do paciente após 8 semanas de tratamento. A variação média (DP) do escore EAV no grupo hidroquinona foi de 1,2 (1,73), comparada com 1,4 (1,35) no grupo CA; essa diferença não foi estatisticamente significativa (p = 0,68).

No grupo hidroquinona, 65% das participantes não relataram queixas, em comparação com 80% no grupo CA, indicando menor taxa de queixas neste último. Prurido e vermelhidão foram mais comuns no grupo hidroquinona (15%) do que no grupo CA (5%). Acne ocorreu apenas no grupo hidroquinona (15%). Por outro lado, prurido foi mais frequente no grupo CA (15% vs. 5%). Calapai et al. não encontraram evidências de toxicidade sistêmica ou local associada à CA, e nenhuma participante apresentou efeitos adversos.10 A hidroquinona, entretanto, está associada a vários efeitos adversos conhecidos, incluindo eritema, alergias ou dermatite de contato irritativa, atrofia cutânea e telangiectasia.11 Para minimizá-los, o tratamento com hidroquinona deve ser interrompido por vários meses antes de ser reiniciado. A hidroquinona também pode ser aplicada nos fins de semana ou três vezes por semana antes da terapia de manutenção para minimizar as complicações.12,13

 

CONCLUSÕES

Ambas a CA e a hidroquinona reduziram significativamente os escores MASI após 8 semanas de tratamento. Não houve diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos com relação à eficácia. A satisfação do paciente melhorou em ambos os grupos, sem diferenças significativas entre eles. Dados os níveis semelhantes de eficácia e menor risco de irritação, a Centella asiatica pode representar uma alternativa adequada para pacientes que desejam evitar os efeitos adversos associados com frequência à terapia com hidroquinona.

 

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES:

Cintyadewi Wignjosoesastro
ORCID: 0009-0004-8623-1404
Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura.
Diah Adriani Malik
ORCID: 0000-0003-0575-9510
Análise estatística, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura.
Puguh Riyanto
ORCID: 0000-0002-2019-8937
Análise estatística, Concepção e planejamento do estudo, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura.

 

REFERÊNCIAS:

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4. Hussain A, Shahbaz U, Shaheen E, Ghias A, Khalid A, Aman S. Comparison of effectiveness and safety of topical 30% metformin versus 4% hydroquinone in the treatment of epidermal melasma. Journal of Pakistan Association of Dermatologists. 2024;34(1):73–9.

5. Viorizka PBB, Setyaningrum T, Qurnianingsih E, Damayanti. The profile and triggering factors of melasma patients: a retrospective study. Berkala Ilmu Kesehatan Kulit dan Kelamin. 2023;35(2):142–7.

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