Sociedade Brasileira de Dermatolodia Surgical & Cosmetic Dermatology

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ISSN-e 1984-8773

Volume 2 Número 3


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Como eu faço ?

Peeling químico médio em lesões papulonodulares de rosácea

Chemical peel in rosacea


Izelda Maria Carvalho Costa1, Kleyton de Carvalho Mesquita1

Doutora em dermatologia pela Escola
Paulista de Medicina – Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp) –
São Paulo (SP) e professora adjunta de
dermatologia da Universidade de Brasília
(UnB) – Brasília (DF), Brasil.1, Residente de dermatologia do Hospital
Universitário de Brasília – Universidade de
Brasília (UnB) – Brasília (DF), Brasil.2

Recebido em: 15/08/2010
Aprovado em: 10/09/2010

Trabalho realizado no Hospital Universitário
de Brasília – Universidade de Brasília, Brasília
(DF), Brasil.

Conflitos de interesse: Nenhum
Suporte financeiro: Nenhum

Correspondência:
Dra. Izelda Maria Carvalho Costa
SHIS QI 17, conjunto 8, casa 02. Lago Sul
71645-080 - Brasília – DF
Tel.:/Fax: 61 3346-8940, 3346-8940
E-mail: izelda@unb.br

 

Resumo

A rosácea é doença cutânea prevalente, de curso crônico e recidivante. Seu tratamento é,muitas vezes, desafiador.Com frequência, é necessário lançar mão de tratamentos não padronizados para conseguir resultados satisfatórios.Relata-se, em 15 pacientes, o uso de peeling médio com solução de Jessner seguido de ácido tricloroacético a 35%, em sessão única, alcançando bom resultado clínico, acompanhado de melhora histopatológica. O uso do peeling médio deve, portanto, ser considerado no arsenal terapêutico para o tratamento da rosácea.

Palavras-chave: ROSÁCEA, ABRASÃO QUÍMICA, ÁCIDO TRICLOROACÉTICO, RESORCINÓIS, ÁCIDO SALICÍTICO

INTRODUÇÃO

A rosácea é doença prevalente, mais comum em mulheres, polimórfica, de prevalência subestimada, com manifestações clí- nicas variadas e evolução crônica,marcada por remissões e reci- divas. 1 A etiopatogênese é incerta, e fatores genéticos, ambien- tais, vasculares, inflamatórios e microrganismos, como Demodex folliculorum e Helicobacter pylori, têm sido considerados. 2

A doença afeta, primariamente, o centro da face (bochechas, nariz, queixo e fronte central). A forma eritêmato-telangiectásica (rosácea tipo 1) é a mais comum, seguida pela forma papulopustu- losa (rosácea tipo 2). Esta última caracteriza-se por eritema persis- tente e pápulas ou pústulas na região centrofacial. 2 Na rosácea tipo 2, além da terapêutica tópica, costuma ser necessário tratamento sistêmico. Essa combinação, entretanto, muitas vezes é insuficiente para proporcionar melhora satisfatória ao paciente.Variante menos comum é a rosácea granulomatosa, também denominada rosácea lupoide, caracterizada pela presença de pápulas vermelho-acasta- nhadas ou pequenos nódulos com base eritematosa e infiltrada, surgindo geralmente na superfície lateral da face e no pescoço. 3

O subtipo papulopustuloso da rosácea é considerado o mais fácil de tratar. 4 Muitos pacientes respondem bem às medicações tópicas, mas algumas vezes (no grau moderado a grave) é neces- sária terapia sistêmica (sobretudo a doxiciclina) ou combinação terapêutica. Existem apenas três medicamentos tópicos aprovados pelo FDA para o tratamento da rosácea: metronidazol 0,75% e 1%, sulfacetamida sódica 10% + enxofre 5% e ácido azelaico 15%. 5 Entretanto, numerosos são os tratamentos off-label utilizados na rosácea, entre os quais encontram-se os peelings químicos. A terapêutica off-label é, muitas vezes, utilizada na tentativa de obter melhor resposta de pacientes refratários ao tratamento-padrão.

Auada Souto e Velho, 6 em um dos poucos trabalhos publicados na literatura científica acerca do uso de peelings no tratamento da rosácea, relataram série de três pacientes com rosácea eritêmato- telangiectásica e papulopustulosa tratados com ácido triclocoacético (ATA) de 10 a 20%.Todos os pacientes apresentaram melhora com redução do eritema cutâneo e das lesões papulopustulosas.A melho- ra pode ser atribuída às ações do ATA tanto na resposta inflamatória quanto na deposição de colágeno, no metabolismo dos fibroblastos e ceratinócitos e na elastose solar, agindo como agente antioxidante.

MÉTODOS

Quinze pacientes do sexo feminino,portadoras de lesões papu- lonodulares, refratárias ao tratamento habitual de rosácea, foram sub- metidas a uma única sessão de peeling médio com aplicação de solu- ção de Jessner seguida de ATA 35%.No pós-operatório e no segui- mento não foram utilizadas medicações específicas para rosácea.

DISCUSSÃO

Todas as pacientes submetidas à sessão de peeling médio obtiveram melhora das lesões papulonodulares.Não se obteve, porém, resposta satisfatória na redução do eritema e telangiec- tasias faciais. Ilustramos o resultado obtido em duas pacientes (A e B); pode-se observar nas figuras 1,2 e 3 a acentuada melhora das lesões papulonodulares. Histopatologicamente, a paciente A, portadora de rosácea granulomatosa, demonstrou grande redução do infiltrado inflamatório (Figura 4).

Não está bem estabelecido o mecanismo pelo qual o peeling químico médio promoveria melhora nas lesões papulo- nodulares da rosácea. Sabe-se que o peeling produz resposta infla- matória intensa com angiogênese e fibrose.A neovascularização torna o peeling não recomendado para o tratamento da rosácea tipo eritêmato-telangiectásica, podendo ocorrer exacerbação do quadro clínico.

Nas 15 pacientes tratadas com peeling químico médio, a melhora foi duradoura.A paciente A persiste sem surgimento de novas lesões papulonodulares há 17 anos, mesmo seguindo sem terapêutica específica para rosácea. A paciente B permaneceu livre de lesões por quatro meses, tendo-se, entretanto, perdido o seguimento após esse período.

CONCLUSÕES

Existe uma variedade de opções terapêuticas tópicas e sis- têmicas para o tratamento da rosácea, especialmente para o subtipo papulopustuloso. 15 Os tratamentos proporcionam apenas controle de seus sinais e sintomas, 6 sendo,muitas vezes, necessá- rio tratamento de manutenção ou de repetição.

Apesar de não constituir tratamento-padrão, peelings quí- micos médios são boa opção nas lesões papulonodulares de rosácea, obtendo-se resultados rápidos e duradouros.

Referências

1 . Powell FC.Clinical Practice. Rosacea.N Engl J Med. 2005.24;352(8):793-803.

2 . Buechner AS. Rosacea: An Update.Dermatology 2005;210(2):100-8

3 . Trindade Neto PB, Lima JB, Oliveira e Silva AC, Rocha KBF, Nunes JCS. Rosácea granulomatosa: relato de caso - enfoque terapêutico. An. Bras. Dermatol. 2006; 81( sippl 3): .S320-S23.

4 . Baldwin HE.Systemic therapy for rosacea.Skin Therapy Lett.2007; 12(2):1-5.

5 . Culp B, Scheinfeld N. Rosacea: A Review. 2009;34(1):38-45.

6 . Auada-Souto MP, Velho PE. Low-strength trichloroacetic acid in the treatment of rosacea. J Eur Acad Dermatol Venereol.2007;21(10):1443-5.

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