Sociedade Brasileira de Dermatolodia Surgical & Cosmetic Dermatology

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ISSN-e 1984-8773

Volume 5 Número 1


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Diagnóstico por imagem

Microscopia confocal no diagnóstico das lesões róseas da face

Confocal microscopy in the diagnosis of pink facial lesions


Gisele Gargantini Rezze1, Luiz Roberto Terzian1, Francisco Macedo Paschoal1

PhD. Dermatologista assistente do
Departamento de Oncologia Cutânea do
Hospital A C Camargo - São Paulo (SP),
Brasil.1, MsC. Dermatologista colaborador do
Departamento de Dermatologia da
Faculdade de Medicina do ABC - São
Paulo (SP), Brasil.2, PhD. Professor de dermatologia do
Departamento de Dermatologia da
Faculdade de Medicina do ABC - São
Paulo (SP), Brasil.3

Data de recebimento: 10/02/2013
Data de aprovação: 07/03/2013
*Trabalho realizado em clínica privada –
São Paulo (SP), Brasil.

Suporte Financeiro: Nenhum
Conflito de Interesses: Nenhum

Correspondência:
Dra. Gisele Gargantini Rezze
Rua Barata Ribeiro 380, cj121 – Bela Vista
CEP: 01308-000 – São Paulo – SP - Brasil
E-mail: ggrezze@hotmail.com
frpasch@uol.com.br

 

Resumo

As lesões róseas solitárias da face podem apresentar padrão dermatoscópico inespecífico, sendo assim consideradas de difícil diagnóstico. Os diagnósticos diferenciais a considerar são: ceratose actínica, carcinoma espinocelular, carcinoma basocelular e melanoma amelanótico. A microscopia confocal pode ser utilizada como exame clínico auxiliar na realização do diagnóstico e na determinação dos locais mais significativos para se fazer uma biópsia. Apresentamos um caso para exemplificar a utilidade do exame de microscopia confocal nas pink lesions.

Palavras-chave: DERMOSCOPIA, MICROSCOPIA CONFOCAL, CARCINOMA BASOCELULAR, CERATOSE ACTÍNIA

RELATO DE CASO

Paciente de 61 anos, branca, referindo exposição solar intensa na infância e adolescência, com queixa de ferida em ponta nasal há quatro meses. Refere a realização de cauterização prévia há dois anos, evoluindo apenas com área avermelhada no local.

Exame dermatológico: apresentava pápula eritematosa de aproximadamente 4mm e crosta melicérica central (Figura 1).

Ao exame dermatoscópico notava-se área de coloração rósea com telangiectasias finas e exulceração central (Figura 2).

Foram feitas as hipóteses diagnósticas de ceratose actínica ou carcinoma basocelular (CBC). Frente à dúvida diagnóstica e por ser lesão localizada em área crítica do ponto de vista estético, optou-se pela realização do exame de microscopia confocal para melhor definição diagnóstica antes da conduta terapêutica.

Na microscopia confocal foi possível a visualização na epiderme de áreas com polarização dos núcleos dos ceratinócitos e crosta. Na junção dermoepidérmica (JDE) e derme havia presença de ilhas tumorais com fendas e fibras colagenas densas ao redor das ilhas tumorais e vasos calibrosos lineares (Figuras 3 e 4).

O exame de microscopia confocal in vivo foi compatível com o diagnóstico de CBC.1 Frente a essa suspeita foi realizada biósia na região mais significativa do exame resultando CBC esclerodermiforme. Pelo tipo histológico e localização da lesão optou-se pela cirurgia de Mohs2 e no primeiro estágio foram realizados cortes histológicos transversais,3 no mesmo plano da dermatoscopia e microscopia confocal (Figura 5), que mostrou ótima correlação com os achados do exame de microscopia confocal.

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

A microscopia confocal in vivo é técnica de exame não invasiva que auxilia no diagnóstico das lesões rosadas solitárias inespecíficas da face, conhecidas na literatura anglo-saxônica como pink lesions. Essas lesões têm como principais diagnósticos diferenciais: ceratose actínica, carcinoma espinocelular, carcinoma basocelular e melanoma amelanótico.4 A dermatoscopia frequentemente apresenta padrão inespecífico. Muitas vezes, nos deparamos com pacientes jovens resistentes à realização da biópsia, principalmente na região da face, assim, a microscopia confocal se apresenta como recurso de grande valia para a definição de conduta adequada.

Referências

1 . Guitera P, Menzies SW, Longo C, Cesinaro AM, Scolyer RA, Pellacani G. In vivo confocal microscopy for diagnosis of melanoma and basal cell carcinoma using a two-step method: analysis of 710 consecutive clinically equivocal cases. J Invest Dermatol. 2012;132(10):2386-94

2 . Terzian LR, Nogueira VMA, Paschoal FM, Barros JC, Machado Filho CD. Cirurgia microcrográfica de Mohs para preservação tecidual nas cirurgias oncológicas da face. Surg Cosmet Dermatol. 2010;2(4):257-63

3 . Rezze GG, Scramim AP, Neves RI, Landman G. Structural correlations between dermoscopic features of cutaneous melanomas and histopathology using transverse sections. Am J Dermatopathol. 2006;28(1):13-20

4 . Braga JC, Scope A, Klaz I, Mecca P, González S, Rabinovitz H, Marghoob AA. The significance of reflectance confocal microscopy in the assessment of solitary pink skin lesions. J Am Acad Dermatol. 2009;61(2):230-41

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