Sociedade Brasileira de Dermatolodia Surgical & Cosmetic Dermatology

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ISSN-e 1984-8773

Volume 4 Número 2


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Relatos de casos

Retalho de interpolação para fechamento de defeito cirúrgico em lóbulo de orelha

Interpolation flap for closing a surgical defect in the ear lobe


Rogério Nabor Kondo1, Rubenso Pontello Júnior1, Vivian Cristina Holanda Lopes1, Rodrigo Antonio Bittar 1, Allamandra Moura Pereira1

Professor do Hospital Universitário
Regional do Norte do Paraná da
Universidade Estadual de Londrina (UEL) –
Londrina (PR), Brasil.1, Residente em dermatologia do Hospital
Universitário Regional do Norte do Paraná
da Universidade Estadual de Londrina
(UEL) – Londrina (PR), Brasil.2, Residente em dermatologia do Hospital
Universitário Regional do Norte do Paraná
da Universidade Estadual de Londrina
(UEL) – Londrina (PR), Brasil.3, Residente em dermatologia do Hospital
Universitário Regional do Norte do Paraná
da Universidade Estadual de Londrina
(UEL) – Londrina (PR), Brasil.3, Residente em dermatologia do Hospital
Universitário Regional do Norte do Paraná
da Universidade Estadual de Londrina
(UEL) – Londrina (PR), Brasil.3

Recebido em: 26/01/2012
Aprovado em: 19/02/2012

Trabalho realizado no Serviço de
Dermatologia do Hospital Universitário do
Norte do Paraná da Universidade Estadual de
Londrina (UEL) – Londrina (PR), Brasil.

Suporte Financeiro: Nenhum
Conflito de Interesses: Nenhum

Correspondência:
Dr. Rogério Nabor Kondo
Rua Paes Leme, 1186 - Jardim Ipiranga
86010-610 - Londrina - PR
E-mail: rkondo@onda.com.br

 

Resumo

O retalho de interpolação é um bom método para reconstruir um defeito amplo e profundo quando o tecido adjacente não permite um fechamento direto. Esses retalhos usam tecidos de área não adjacente com pedículo vascular para suprir o retalho até que uma neovascularização tenha sido estabelecida entre o retalho e o leito receptor. Esse estudo descreve a aplicação de um retalho de interpolação para fechar um defeito secundário à excisão de dois carcinomas basocelulares na face anterior do lóbulo de orelha.

Palavras-chave: RETALHOS CIRÚRGICOS, ORELHA, CARCINOMA BASOCELULAR

INTRODUÇÃO

Entre os tumores cutâneos, o carcinoma basocelular (CBC) é o tipo mais frequente, correspondendo cerca de 70% de todos os cânceres de pele. A exérese cirúrgica é o tratamento preconizado, porém, podem ocorrer situações não passíveis de fechamento direto, havendo necessidade da confecção de retalho ou enxerto.1

Retalho de interpolação consiste num segmento de pele e tecido celular subcutâneo que roda sob um pivô, descrevendo arco até um defeito próximo, mas não imediatamente adjacente. O pedículo desse retalho passa por cima da pele normal sob a qual se trabalha.2-5

Descrevemos a aplicação de um retalho de interpolação para resolução de uma ferida secundária à exérese de dois CBCs em lóbulo de orelha.

RELATO DE CASO

J.C, com 70 anos, do sexo masculino, com duas lesões na face anterior do lóbulo da orelha esquerda, compatíveis com CBC superficial (Figura 1). Após a demarcação das lesões com margens de 0,5cm, procedeu-se à excisão do tumor, não sendo possível o fechamento primário da área cruenta resultante (Figura 2). Optou-se por retalho de interpolação para o fechamento da área cruenta (Figura 3). O retalho foi posicionado e suturado na posição com fio mononáilon 6.0, ficando com um pequeno pedículo vascular, tendo sido suturada a área com mononáilon 5.0 (Figura 4). Após uma semana, os pontos foram retirados (Figura 5). Três semanas depois, procedeu-se a ressecção do pedículo (Figura 6). O paciente evoluiu sem intercorrências e com bom resultado estético.

DISCUSSÃO

Os retalhos cutâneos são recursos necessários para o fechamento de excisões de tumores de pele.1-5 A maioria dos retalhos na cirurgia dermatológica utiliza pele adjacente à ferida, resultando em melhor resultado estético.²

Extensas feridas cirúrgicas resultantes de excisões de neoplasias cutâneas em lóbulo de orelha são grande desafio cirúrgico. Desse modo, é fundamental a escolha de técnica adequada para obtenção de melhor resultado estético.5

No presente caso utilizamos a técnica de interpolação, que é excelente método para solucionar defeito amplo e profundo no qual o tecido adjacente não permite fechamento direto. Nesses casos utiliza-se tecido de área não adjacente com pedículo vascular para suprir o retalho até que se estabeleça neovascularização entre o retalho e o leito receptor. A principal desvantagem desse tipo de retalho é que requer dois estádios para ser completado. A secção do pedículo é realizada após a neovascularização completa da área receptora, o que em geral ocorre após três semanas.2-5

No caso aqui relatado, ao se utilizar a técnica do retalho de interpolação, obteve-se resultado satisfatório, sem intercorrências, e esteticamente aceitável.

Referências

1 . Amaral ACN, Azulay DR, Azulay RD. Neoplasias malignas da epiderme e anexos. In: Azulay RD, Azulay DR, Azulay-Abulafia L. Dermatologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2011.p.605.

2 . Mellette JR, Ho DQ. Interpolation Flap. Dermatol Clin.2005; 23(1):87-112.

3 . Barlow RJ,Swanson NA.The nasofacial interpolated flap in reconstruction of the nasal ala. J Am Acad Dermatol. 1997;36(6): 965-9.

4 . Johnson MT, Fader DJ. The staged retroauricular to auricular direct pedicle (interpolation) flap for helical ear reconstruction. J Am Acad Dermatol. 1997;3796):975-8.

5 . Di Mascio D, Castagnetti F.Tubed flap interpolation in reconstruction of helical and ear lobe defects. Dermatol Surg 2004; 30(4): 572-8.

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