Sociedade Brasileira de Dermatolodia Surgical & Cosmetic Dermatology

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ISSN-e 1984-8773

Volume 3 Número 4


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Diagnóstico por Imagem

Detecção de melanomas pequenos

Detection of small melanomas


Sergio Yamada1, Mauricio Mendonça do Nascimento1, Sergio Henrique Hirata1

Mestre em dermatologia pela
Universidade Federal de São Paulo
(UNIFESP) – São Paulo (SP), Brasil.1, Médico dermatologista do departamento
de dermatologia da Universidade Federal
de São Paulo (UNIFESP) – São Paulo (SP),
Brasil.2, Professor adjunto do departamento de
dermatologia da Universidade Federal de
São Paulo (UNIFESP) – São Paulo (SP)3

Data de recebimento: 25/10/2011
Data de aprovação: 15/11/2011

Os casos clínicos foram selecionados retroscpectivamente, do banco de dados do Grupo de Dermatoscopia do Departamento de
Dermatologia da UNIFESP, e de clínica privada.

Suporte financeiro: Nenhum
Conflitos de interesse: Nenhum

Correspondência:
Sergio Yamada
R. Pedro de Toledo, 980 sala 26
04039-002 São Paulo SP
e-mail: yamadasderma@gmail.com

 

Resumo

Relatamos 4 casos clínicos de melanomas pequenos detectados pela dermatoscopia associada aos dados clínicos e à fotografia corporal total com monitoramento sistemático. Nos melanomas pequenos nem sempre os achados dermatoscópicos isoladamente, são suficientes para a correta indicação da biópsia excisional para exame anátomo-patológico.

Palavras-chave: DERMATOSCOPIA, MELANOMA, FOTOGRAFIA

A detecção precoce do melanoma cutâneo é fator impor- tante no prognóstico do paciente. A dermatoscopia é instru- mento importante na indicação de excisão de melanomas finos, porém, lesões pequenas nem sempre evidenciam estruturas de risco. A indicação correta de excisão de melanomas incaracte- rísticos pequenos, depende da avaliação sistematizada, o que inclui:
1 – caracterização do paciente de risco : fototipo, história pregressa da exposição solar, queimaduras solares, presença de nevos múltiplos, nevos atípicos, história familiar ou pessoal de melanoma e eventualmente, avaliação de risco genético;
2 – auto exame e mapeamento corporal (monitorados atra- vés de imagem);
3 – realizar dermatoscopia em todas as lesões, incluindo as clinicamente suspeita;
4 – excisar lesões com padrão de pigmentação inespecífico;
5 – excisar lesões com padrão spitzóide, principalmente em adultos ;
6 – excisar lesões com sinais de regressão;
7 – excisar lesões em que não haja correlação clínico-der- matoscópica;
8 – excisar lesões que se modifiquem no seguimento de curto prazo -3 a 4 meses; 1
9 – em pacientes com nevos múltiplos, excisar ou reavaliar em curto prazo, lesões que apresentem padrão dermatoscópico diferente das demais lesões do paciente -sinal do patinho feio;
10 – excisar lesões róseas com padrão vascular atípico; 2
11 – reavaliar em curto prazo, ou excisar, lesões com padrão não usual para lesão melanocítica benigna.
12 – no seguimento de mais longo prazo, 3 excisar lesões que apresentem:
- crescimento focal com modificação da forma,
- lesões que passem a apresentar estruturas de risco – pon- tos periféricos irregularmente distribuídos, expansão da rede pigmentada com características atípicas
- expansão de área de hipopigmentação e aparecimento de despigmentação cicatricial, acompanhada de resposta inflamató- ria focal.

OBSERVAÇÕES CLÍNICAS

Obs 1 – paciente fototipo II e história anterior pessoal de melanoma, apresentou no seguimento clínico monitorado apare- cimento de lesão pigmentada na face lateral do braço esquerdo, à dermastocopia a lesão apresentava padrão spitzóide (Figura 1). O padrão spitzóide , em adulto indica a excisão da lesão para estudo anátomo patológico. O exame anátomo-patológico con- firmou tratar-se de melanoma micro invasivo.

Obs 2 – paciente fototipo III, e história anterior pessoal de melanoma apresentava na região mamária esquerda lesão com padrão dermatoscopico diferente das demais lesões presentes no momento do exame (sinal do patinho feio) além de eritema . A lesão foi documentada e acompanhada, apresentando crescimen- to assimétrico e modificação discreta da morfologia das estrutu- ras (Figura 2). O exame anátomo patológico revelou melanoma in situ.

Obs 3 – paciente fototipo II, com antecedente pessoal de melanoma, apresentou no seguimento monitorado, escureci- mento de lesão na região lombar direita. A dermatoscopia apre- sentava rede atípica (espessada) e hipercromia multifocal (Figura 3). A evolução clínica e do padrão dermatoscópico, foram con- siderados para a indicação de excisão desta lesão, cujo anátomo- patológico foi melanoma in situ.

Obs 4 – paciente sexo feminino, fototipo II, apresentava na coxa direita lesão pigmentada cuja dermatoscopia mostrou pon- tos periféricos irregularmente distribuídos e estrias radiais dis- cretas e irregularmente distribuídas. (Figura 4). A borda era bem demarcada em toda a periferia da lesão. O anátomo patológico foi de melanoma cutâneo in situ.

COMENTÁRIO FINAL

As observações clínicas apresentadas ilustram que o risco de não excisão dos melanomas incaracterísticos pequenos pode ser minimizado através do seguimento clínico e dermatoscópico sistematizado.

Referências

1 . Kittler H; Guitera P; Riedl E; Avramidis M; Teban L; Fiebiger M; Weger RA;Dawid M; Menzies S: Identification of clinically featureless incipient melanoma using sequential dermoscopy imaging Arch Dermatol 2006;142:1113-1119.

2 . Argenziano G; Zalaudek I; Ferrara G; Johr R; Langford D; Puig S; Soyer HP; Malvehy J: Dermoscopy features of melanoma incognito: indications for biopsy J Am Acad Dermatol 2007;56:508-13.

3 . Kitler H; Pehamberger H; Wolff K; Binder M: Follow-up of melanocytic lesions with digital epiluminescence microscopy: Patterns of modifications observed in early melanoma, atypical nevi, and commom nevi J Am Acad dermatol 2000;43:467-76.

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