Sociedade Brasileira de Dermatolodia Surgical & Cosmetic Dermatology

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ISSN-e 1984-8773

Volume 3 Número 4


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Relatos de casos

Retalho de rotação para fechamento de defeitos cirúrgicos nos dorsos das mãos

Rotation flap for closure of surgical defect on the dorsum of the hand


Paulo Morais Cardoso1, Paulo Santos1, Filomena Azevedo1

Assistente hospitalar de dermatologia e
venereologia no Hospital de São João e
assistente de dermatologia e venereologia
da Faculdade de Medicina da Universidade
do Porto – Porto, Portugual.1, Assistente hospitalar de dermatologia e
venereologia no Hospital de São João –
Porto, Portugual.2, Diretora do serviço de dermatologia e
venereologia do Hospital de São João –
Porto, Portugual.3

Recebido em: 17/11/2011
Aprovado em: 06/12/2011

Trabalho realizado no serviço de dermatolo-
gia e venereologia do Hospital de São João –
Porto, Portugal.

Conflitos de interesse: Nenhum
Suporte financeiro: Nenhum

Correspondência:
Paulo Morais
R. Largo da Igreja – 143
04.500-474 – Espinho – Portugal
E-mail: paulomoraiscardoso@gmail.com

 

Resumo

Os tumores malignos são relativamente frequentes no dorso da mão. A excisão destas lesões pode resultar num defeito cirúrgico de grandes dimensões não passível de encerramento directo, pelo que, a sua reconstrução pode constituir um desafio para o cirurgião. Podem ser utilizadas várias técnicas reconstrutivas para este efeito. Descrevemos a aplicação de um retalho de rotação para encerramento de um defeito do dorso da mão secundário à exérese de um queratoacantoma e explicamos os príncipios e as vantagens desta técnica.

Palavras-chave: MÃO (ANATOMIA), RETALHOS CIRÚRGICOS

INTRODUÇÃO

Tumores ocorrem frequentemente nos dorsos das mãos. Diferentes técnicas, tais como fechamento direto, enxertos, reta- lhos locais, retalhos distais e transferências livres de tecidos 1 , podem ser empregadas no fechamento de defeitos decorrentes da excisão de tais lesões. Várias feridas cirúrgicas localizadas nas mãos podem ser fechadas através de técnicas simples. Porém, podem ocorrer defeitos mais complexos e não passíveis de fechamento direto, geralmente impondo um desafio ao cirur- gião. Descrevemos a utilização do retalho de rotação com o objetivo de reparar defeitos nos dorsos das mãos.

RELATO DE CASO

Uma paciente de pele clara, de 74 anos de idade, fazendei- ra, apresentou-se com um tumor de crescimento rápido locali- zado no dorso da mão esquerda, em area próxima ao primeiro metacarpo, com 6 meses de evolução. Ao exame físico, obser- vou-se no local descrito uma lesão nodular, com 2,5 cm de diâ- metro e centro queratótico (Figura 1). A dermatoscopia reve- lou áreas brancas desestruturadas mescladas com aberturas dila- tadas e queratóticas, e uma massa central acastanhada de quera- tina (Figura 1A, detalhe interno). Achados clínicos dermatoscó- picos sugeriram o diagnóstico de queratoacantoma. A lesão foi excisada, resultando em um defeito de 4,5 cm de largura (Figura 1B). A opçao de fechamento da ferida cirurgica foi o retalho de rotação. Uma incisão curva foi realizada a partir do defeito até a margem ulnar. O retalho foi elevado e nivelado superficialmen- te no plano dos tendões extensores, com vasos e nervos subja- centes sendo preservados quando possível (Figura 1C). O reta- lho foi então rotacionado sobre a ferida cirurgica, causando o surgimento de um defeito secundário. Com o objetivo de faci- litar o deslizamento do retalho e evitar o efeito "dog-ear", um triângulo de pele de pequenas dimensões foi excisado na porção distal do defeito secundário. O retalho foi suturado à pele com fio 40 de poliamida. O defeito secundário foi então fechado por avanço utilizando-se o excesso de tecido da parte dorsal da mão. (Figura 1D e 1E). As suturas foram retiradas após 2 semanas (Figura 1F e 1G). A reavaliação realizada na consulta de segui- mento após 1 mês revelou excelentes resultados funcionais e estéticos. O exame histopatológico confirmou a presença de queratoacantoma. A paciente passa por consultas de acompanha- mentos regularmente, com ausência de recorrência do tumor.

DISCUSSÃO

O presente artigo descreve a utilização do retalho de rota- ção no dorso das mãos. A técnica se mostrou útil na rescontru- ção de defeitos resultantes da excisao de lesões cutâneas actíni- cas cobrindo a metade distal dos metacarpos nos dorsos das mãos. 2 O fechamento direto não foi viável no paciente em ques- tão. As melhores alternativas para trazer tecido novo ao defeito eram retalhos ou enxertos cutâneos. Ainda que enxertos livres proporcionem bons resultados nos dorsos das mãos, essa técnica possui a desvantagem de requerer uma área doadora distância. 1,2 Quando possível, o retalho local é provavelmente a técnica reconstrutiva mais conveniente. Adicionalmente, dado que teci- dos locais são utilizados para reparar o defeito, a técnica segue o princípio do "igual com igual". 2 O retalho de rotação segue esse princípio e proporciona excelentes resultados estéticos sem com- prometimento da função. A preservação dos elementos vasculares axiais do retalho teoricamente proporciona mais resistência à infecção. 2 Essa modalidade de retalho é executada como um reta- lho de rotação convencional, porém sua realização acarreta um defeito secundário, que é fechado através do tracionamento do excesso de pele do dorso da mão. A utilização de um pequeno "back cut" ou a criação de um Triângulo de Burow pode auxiliar na obtenção de um pequeno grau adicional de rotação. 1

A conclusão é de que o retalho de rotação do dorso da mão permite que o defeito cirúrgico seja fechado com uma distribui- ção da tensão de fechamento por uma área de superfície consi- deravelmente maior, além de proporcionar um reparo com pele local de cor, textura e espessura semelhantes (princípio do "igual com igual"), proporcionando excelentes resultados estéticos e funcionais.

Referências

1 . Chao JD, Huang JM, Wiedrich TA. Local hand flaps. J Am Soc Surg. 20011;1:25-44.

2 . Hurren JS, Cormack GC. The application of the rotation flap to the dorsum of the hand. Br J Plast Surg. 2000; 53:491-4.

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