Sociedade Brasileira de Dermatolodia Surgical & Cosmetic Dermatology

GO TO

ISSN-e 1984-8773

Volume 3 Número 4


Voltar ao sumário

 

Artigos Originais

Pesquisa sobre o uso de lasers e outras tecnologias pelos associados da Sociedade Brasileira de Dermatologia

Use of laser and other technologies by Brazilian Society of Dermatology members


Roberto A. de Mattos1, Bogdana V Kadunc1, Aldo Toschi1, Samuel Mendes Peixoto1, Anna C. Andriolo1

Coordenador do Departamento de laser
da Sociedade Brasileira de Dermatologia –
Rio de Janeiro (RJ), Brasil. e Preceptor de
ensino em dermatologia no Hospital do
Servidor Público Estadual – São Paulo (SP),
Brasil.1, Doutora em dermatologia pela Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo
(FM-USP); Assistente da clínica dermatológica
do Hospital do Servidor Público Municipal
de São Paulo – São Paulo (SP), Brasil.2, Coordenador de Dermatologia do
Instituto Brasileiro de Controle do Câncer
(IBCC); Coordenador de mídia eletrônica
da Sociedade Brasileira de Dermatologia –
São Paulo (SP), Brasil.3, Assistente editorial do departamento de
comunicação/TI da Sociedade Brasileira de
Dermatologia Rio de Janeiro (RJ), Brasil.4, Residente de dermatologia do no Hospital
do Servidor Público Estadual – São Paulo
(SP), Brasil.5

Data de recebimento: 03/11/2011
Data de aprovação: 30/11/2011

Trabalho realizado na sede da Sociedade
Brasileira de Dermatologia. Rio de Janeiro,
Brasil

Correspondência:
Roberto A. de Mattos
Alameda Franca, 267 Conjunto 84
01422-001 - São Paulo – SP
E-mail: robmattos@uol.com.br

 

Resumo

Introdução: Utilizou-se um questionário online para os 6517 associados da Sociedade Brasileira de Dermatologia contendo perguntas sobre a utilização de lasers e outras tecnologias no tratamento de doenças cutâneas ou alterações inestéticas.
Objetivo: Quantificar o uso destas tecnologias pelos dermatologistas, em cada região do Brasil e identificar as carências regionais.
Métodos: Foram elaboradas 17 questões a respeito de: local de utilização do aparelho, relação de propriedade com o equipamento, número e tipo de aparelhos utilizados, indicações clínicas e região do país à qual pertence o associado. O site da Sociedade Brasileira de Dermatologia foi usado como veículo por dois meses (fevereiro e março- 2011), sendo as respostas codificadas em gráficos com percentagens.
Resultados: Entre os 859 dermatologistas brasileiros que responderam ao questionário 68% utilizam os aparelhos em suas clínicas privadas, 32% são proprietários e 80% habitam nas regiões Sudeste/Sul do país.
Conclusões: Alguns dados foram surpreendentes como a variedade de aparelhos utilizados enquanto outros corresponderam à expectativa (concentração maior na região Sudeste). Com este mapeamento, a Sociedade Brasileira de Dermatologia pôde detectar como e onde os dermatologistas brasileiros utilizam este tipo de tecnologia, com a finalidade de auxiliar a difundir o seu uso em regiões de maior carência.

Palavras-chave: LASERS, ANÁLISE ESTATÍSTICA, DERMATOLOGIA

INTRODUÇÃO

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) tem atual- mente 6517 associados, (99,2% brasileiros) distribuídos nas 5 principais regiões do país Norte (2,8%), Nordeste (13,2%), Centro-Oeste (7%), Sudeste (63%) e Sul (14%). Destes 6517 associados, 73% utilizam o website da SBD segundo pesquisa rea- lizada anteriormente.(Gráfico 1). Vinte e um departamentos científicos congregam os associados segundo suas áreas de inte- resses específicos. O departamento de Laser-SBD foi fundado em 2003, e tem promovido o ensino destas técnicas em todo o território brasileiro através de congressos, cursos e workshops. O interesse pela utilização de lasers e outras tecnologias pelos der- matologistas brasileiros tem crescido de modo exponencial na ultima década e a diretoria da SBD (gestão 2011-2012) junta- mente com os coordenadores do departamento de Laser-SBD procederam a uma pesquisa via internet, com o objetivo de conhecer a extensão desta prática por dermatologistas nas 5 macro regiões do território brasileiro. A intenção foi detectar como, onde e quais aparelhos estão sendo utilizados em cada região e, a partir destas informações poder desenvolver estraté- gias de ajuda para que o acesso à tecnologia possa ser ampliado. Não havia sido ainda conduzida uma pesquisa deste porte, por- tanto pouco eram conhecidos os dados a serem compilados.

MÉTODOS

Foram elaboradas 17 perguntas, que ficaram hospedadas durante 60 dias no website da SBD, solicitando-se aos associados que as respondessem via internet. Os temas abordados foram:
1- Local de utilização do aparelho: clínica privada, outro local, ambos
2- Relação de propriedade: aparelho próprio ou alugado
3- Número de aparelhos utilizados
4- Indicações: epilação, tratamento de lesões pigmentadas ou vasculares, rejuvenescimento, flacidez cutânea, celulite e estrias
5- Tipos de aparelhos: luz intensa pulsada (LIP), lasers ablativos fracionados e não fracionados de CO2, lasers de erbium fracionado não ablativo, YAG lasers, Q-Swichted lasers, radio- frequência, infravermelho, radiofrequência associada a laser/LED (Diodo Emissor de Luz)/LIP para tratamento corpo- ral e lipólise ultrassônica.

As perguntas ficaram expostas durante dois meses no web- site da Sociedade Brasileira de Dermatologia, na área com aces- so exclusivo para médicos. Utilizou-se o programa EXCEL (Windows) para captação numérica das respostas, que foi tradu- zida em gráficos com percentuais.

RESULTADOS

No universo dos 6.517 associados da SBD, 859 responde- ram às perguntas. Destes que o fizeram, 68% revelaram utilizar os aparelhos no seu próprio consultório (Gráfico 2); 17% são proprietários, 68% alugam os aparelhos enquanto 15% preen- chem os dois critérios (Gráfico 3); 29% utiliza pelo menos 2 aparelhos para os tratamentos e 26% utilizam 3 (Gráfico 4). Entre os usuários, 65% estão na região Sudeste, 15% na região Sul, 11% no Nordeste, 7% na região Centro –Oeste, e apenas 2% no Norte do país. (Gráfico 5)

A preferência para a epilação é o laser de diodo (27%), porém 55% usam equipamentos não mencionados nesta pes- quisa, apesar dos aparelhos tecnicamente adequados terem sido citados nesta pergunta.

Em relação ao tipo de aparelho de LIP, a maioria utiliza os de última geração, com ponteira resfriada e pulso quadrado (smooth pulse) mas uma pequena percentagem ainda usa os aparelhos da primeira e segunda geração (pulsos múltiplos e ponteira não resfriada).

Os lasers de CO2 não fracionados (ablativos convencionais) são pouco usados pelos dermatologistas brasileiros. Já em relação aos lasers ablativos fracionados , houve uma grande proporção que utiliza o Erbium 2940 nm (29%), sendo os lasers de CO2 mais usados os de primeira geração (possuem apenas microbeams) de tamanho grande. Entre os lasers fracionados não ablativos, houve divisão quase equitativa entre o de 1550 nm (47%) e o de 1540 nm (42%). Para remoção de pigmentos melanocíticos, 65% usam o laser QS Nd:Yag 1064 e 532 nm e 31% o laser QS Rubi 694nm (Gráfico 6). Para o tratamento de lesões vasculares, o uso de laser ficou dividido em 73% que usam o Nd:Yag 1064nm pulso longo e 27% que utilizam o pulsed dye laser de 585 ou 595 nm (Gráfico 7). Nesta questão não havia pergun- ta/resposta para quem usa somente a luz pulsada para esta fina- lidade. Os tipos de radiofreqüência (RF) mais utilizados são: uni- polar + bipolar (59%), tripolar (25%) e monopolar com consu- mível de alto custo (14%). Em relação os aparelhos de Infravermelho (IV) para flacidez facial , houve uma distribuição quase equitativa entre todos os tipos, incluindo os de consumí- veis de alto custo. Para os tratamentos de flacidez corporal, a maioria absoluta (69%) prefere e utiliza os aparelhos que com- binam tecnologias, como o RF + IV + Diodo ou LED geral- mente associados à sucção da pele. O restante usa tecnologias simples , ou seja, IV ou RF isolados. Em relação à lipólise ultrassônica, também houve divisão equitativa do uso dos apare- lhos. Para tratamento de estrias, a maioria: 37% usa o laser CO2 fracionado, 18% o 1550 nm, 16% a LIP, 14% o 1540 nm e 2% o 1440 nm.

DISCUSSÃO

Alguns trabalhos similares, porém não tão específicos para esta finalidade já foram realizados em outros países, 1-5 mas o estudo em questão caracteriza-se por captar um determinado momento no tempo, pois sabemos da evolução constante destes aparelhos e das trocas que os médicos fazem entre as tecnolo- gias, sendo este um dos fatores limitantes deste tema.

Outro limite é que foi elaborado um número pequeno de questões, pois a experiência adquirida com outras pesquisas mos- trou que quando é colocado no site um número excessivo de perguntas, diminui exponencialmente o número de respostas.

Consideramos relevante o número total de 859 respostas dentre os 6.5017 associados da SBD, considerando que muitos colegas não usam esta tecnologia e não se interessaram em res- ponder. Faltou na nossa pesquisa uma pergunta importante que seria: "Voce utiliza laser e outras tecnologias para o tratamento de alterações cutâneas: sim ou não?" Assim teríamos noção melhor da proporção que significa estes 859/6.517 dermatolo- gistas que responderam ao questionário.

Esta pesquisa representa um valor referencial, pois as ten- dências destas tecnologias sofrem mudanças freqüentes. Tais mudanças requerem certo tempo para sedimentação, já que a experiência do dermatologista se solidifica gradativamente com cada aparelho em particular. Ou seja, quando se adquire expe- riência com determinado equipamento, a tendência é o uso a longo prazo. No entanto, as evoluções tecnológicas praticamen- te obrigam o médico a migrar para novas propostas muito rápi- damente.

São vários os fatores que levam o profissional a usar deter- minados aparelhos: custo no caso da compra, eficiência, grau de segurança e a disponibilidade de serviços de manutenção ade- quados. No caso da locação, embora mais desconfortável para o médico usuário, a troca de equipamentos por outros mais atualizados é mais fácil.

Alguns fatores que pudemos perceber neste estudo é o fato de que 68% dos dermatologistas brasileiros que responderam à pesquisa realizam o procedimento no próprio consultório, e que 32% são proprietários. Levando em consideração que existem centros de lasers, com diversas tecnologias à disposição dos der- matologistas, este alto índice de execução em consultório pró- prio parece estar ligado ao conforto do médico, para não haver deslocamento, nem do executor tampouco do paciente até os referidos centros.

Outro dado curioso é o fato da maioria dos médicos que responderam a pesquisa utiliza o laser de CO2 fracionado para o tratamento de estrias. Este é uma das indicações desta tecnolo- gia, em publicações muito recentes, 6 quando comparadas à indi- cação, para esta patologia, de lasers fracionados não ablativos, dis- poníveis há mais de 5 anos e com resultados já consagrados. 7 Seria uma influência da mídia sobre os dermatologistas direcio- nando a utilização das tecnologias?

Também relevante é o fato de que 29% usam mais de um aparelho e que 15% usam mais de quatro para os tratamentos. Podemos considerar um avanço para a dermatologia brasileira, pois há 5 anos atrás, embora não houvesse sido feita ainda uma pesquisa, este uso era muito mais restrito.

Em relação ao uso por região, os resultados não surpreen- deram, confirmando o predomínio do uso do laser e outras tec- nologias na região sudeste, onde se concentra também grande numero de dermatologistas. Porem, foi de extrema importância o conhecimento das porcentagens do uso das tecnologias em cada região (Gráfico 5), desde que o seu ensino tende a se tor- nar curricular na residência médica brasileira em Dermatologia, e os serviços de ensino credenciados pela SBD necessitarão receber suporte da instituição.

Assim, acreditamos que este estudo seja útil para o incenti- vo à difusão do conhecimento nesta área de interesse da Dermatologia Brasileira e referência para a comparação com futuras pesquisas desta ordem.

CONCLUSÕES

A pesquisa alcançou seu objetivo, fazendo um mapeamen- to do uso dos lasers e outras tecnologias pelos dermatologistas brasileiros associados à SBD. Novos estudos devem ser realiza- dos, e para que evoluam, este servirá de base comparativa para o conhecimento de como e com que rapidez se faz a evolução tecnológica e o uso desta pelos dermatologistas do Brasil.

Referências

1 . Housman TS, Hancox JG, Mir MR, Camacho F, Fleischer AB, Feldman SR, et al. What Specialities Perform the Most Common Out patient Cosmetic Procedures in the United States ? Dermatolol Surg 2008;34(1) :1-7; discussion 8.

2 . Lipozenic J, Burnknic-MoKos. Corrective dermatologic today. Acta Clin Croat. 2010; 49(4):519-23.

3 . Tierry EP, Hanke CW. Recent Trends in Cosmetic and Surgical Procedures Volumes in Dermatologic Surgery. Dermatol Surg. 2009;35(5):1324-33.

4 . Accreditation Council for Graduate Medical Education. Program requirements for graduate medical education in procedural dermatology (Accessed September 20, 2003). Avaliable from http://www.org.acgme.org/acWebsite/downloads?RRC-progReq/081 prog203-u704.pdf .

5 . Webb JM, Rye B, Fox L, Smith SD, Cash J. State of dermatology training: the residents perspective. J Am Acad Dermatol. 1996;34(6): 1067-71.

6 . Yang YJ, Lee GY. Treatment of striae distensae with nonablative fractional laser versus ablative CO2 fractional laser:a randomized controlled trial. Ann Dermatol 2011;23(4):481-9.

7 . Kim BJ, Lee DH, Kim MN, Song KY, Cho WI, Lee CK, et al. Fractional photothermolysis for the treatment of striae distensae in Asian skin. Am J Clin Dermatol 2008;9(1):33-7.

© 2017 Sociedade Brasileira de Dermatologia - Todos os direitos reservados

GN1 - Sistemas e Publicações