Sociedade Brasileira de Dermatolodia Surgical & Cosmetic Dermatology

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ISSN-e 1984-8773

Volume 3 Número 3


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Diagnóstico por Imagem

Dermatoscopia na gestação

Dermatoscopy in pregnancy


Juliana Machado Canosa1, Eduard René Brechtbühl1, João Pedreira Duprat Neto31

Dermatologista do Núcleo de Câncer de
Pele e Dermatologia do Hospital AC
Camargo da Fundação Antonio Prudente –
São Paulo (SP), Brasil.1, Cirurgião plástico do Núcleo de Câncer de
Pele e Dermatologia do Hospital AC
Camargo da Fundação Antonio Prudente –
São Paulo (SP), Brasil.2, Dermatologista do Núcleo de Câncer de
Pele e Dermatologia do Hospital AC
Camargo da Fundação Antonio Prudente –
São Paulo (SP), Brasil.1

Data de recebimento: 22/08/2011
Data de aprovação: 08/09/2011

Trabalho realizado no Hospital AC Camargo
da Fundação Antonio Prudente – São Paulo
(SP), Brasil.

Conflitos de interesse: Nenhum
Suporte financeiro: Nenhum

Correspondência:
Hospital AC Camargo
Núcleo de Câncer de Pele e Dermatologia
Rua Professor Antonio Prudente, 211 –
Liberdade
01509-010 – São Paulo – SP
E-mail: jqpmachado@uol.com.br

 

Resumo

O prognóstico do melanoma cutâneo depende principalmente da sua espessura, sendo a detecção precoce de melanomas iniciais extremamente importante para a maior sobrevida dos pacientes. Com a utilização do exame dermatoscópico, pode-se alcançar acurácia de aproximadamente 90%. Alterações em lesões pigmentadas durante a gestação podem ocorrer, porém a dificuldade é saber se são benignas ou se correspondem a melanoma. O recurso diagnóstico da dermatoscopia permite aumentar a margem de acerto no diagnóstico e na detecção do melanoma nos estádios mais iniciais, melhorando o prognóstico e consequentemente a sobrevida do paciente.

Palavras-chave: GRAVIDEZ, MELANOMA, DERMOSCOPIA

INTRODUÇÃO

O prognóstico do melanoma cutâneo depende principal- mente de sua espessura, sendo a detecção precoce de melanomas iniciais extremamente importante para a maior sobrevida dos pacientes. A acurácia diagnóstica do melanoma cutâneo é esti- mada entre 75 e 80% quando feito por dermatologistas a olho nu e mais baixa quando estabelecida por residentes e clínicos gerais. Com a utilização do exame dermatoscópico, pode-se alcançar acurácia de aproximadamente 90%. 1-3 A dermatoscopia é método não invasivo que pode auxiliar o médico no diagnós- tico de tumores cutâneos.

As estruturas dermatoscópicas e as cores, junto com sua distribuição, geralmente podem auxiliar na diferenciação entre lesões melanocíticas e não melanocíticas e entre tumores malig- nos e benignos. 3

RELATO DE CASO

Relata-se o caso da paciente I. R., 30 anos, do sexo femi- nino, branca, procedente de São Paulo-SP. Nos antecedentes familiares revela pai com câncer de esôfago, mãe e tia paterna com câncer de mama. Chegou ao Hospital AC Camargo enca- minhada por outro serviço, relatando lesão removida no mem- bro superior direito em janeiro de 2010 com exame anatomo- patológico correspondendo a melanoma extensivo superficial, crescimento radial, Breslow de 0,3mm, índice mitótico 0/10 campos de grande aumento (CGA), 0mm2, discreta infiltração linfocitária peritumoral, presença de nevo preexistente e mar- gens livres. Foi indicada então a ampliação de margens, cujo ana- tomopatológico de fevereiro de 2010 mostrou fibrose dérmica cicatricial com reação gigantocelular do tipo corpo estranho e ausência de neoplasia residual.

Foi então indicada a dermatoscopia digital, realizada em 22/02/2010 (Figuras 1), sendo incluídas 208 lesões, sem indica- ção de exérese nessa ocasião. Conforme o protocolo de segui- mento no Hospital AC Camargo, nova dermatoscopia digital foi feita em 31/05/2010 (Figura 2), novamente sem indicação de exérese. A paciente então não retornou ao serviço seis meses depois, conforme orientação, engravidou e teve abortamento, só voltando para nova dermatoscopia digital um ano após a última, em 25/05/2011. Uma das lesões em abdome apresentou cresci- mento significativo, sugerindo melanoma (Figuras 3). O laudo anatomopatológico de 01/06/2011 é o que se segue:

  • Melanoma maligno invasivo.
  • Tipo: extensivo superficial.
  • Fase de crescimento: radial.
  • Ulceração: Não detectada.
  • Nível de Clark: II.
  • Profundidade de infiltração (Breslow): 0,33mm.
  • Índice mitótico: 0/10CGA 0/mm².
  • Infiltrado inflamatório peritumoral: intenso.
  • Infiltrado inflamatório intratumoral: não detectado.
  • Áreas de regressão: não detectadas.
  • Invasão vascular sanguínea: não detectada.
  • Invasão vascular linfática: não detectada.
  • Invasão perineural: não detectada.
  • Satelitose microscópica: não detectada.
  • Nevo preexistente: não detectado.
  • Margens cirúrgicas de ressecção: livres de comprometi mento neoplásico.
  • DISCUSSÃO

    O melanoma é dos tumores mais comuns diagnosticados na gravidez, só perdendo para os cânceres de mama e de colo de útero. Enquanto a ocorrência de tumores malignos em mulhe- res grávidas é aproximadamente de um em 1.000, cerca de 8% de todos os tumores na gravidez são melanomas. 4,5

    Sabemos que modificações de lesões pigmentadas podem ocorrer durante a gestação, porém existe dificuldade na dife- renciação entre alterações benignas e melanoma. Por esse motivo, lançamos mão do recurso diagnóstico da dermatosco- pia, que nos permite aumentar a acurácia diagnóstica e a detecção do melanoma nos estádios mais iniciais, melhorando o prognóstico e, consequentemente, a sobrevida do paciente. 1

    No entanto, conforme descreveu Menzies e cols, alguns melanomas iniciais podem não apresentar características que os diferenciem de lesões benignas. Nesse caso, é imprescindível o acompanhamento dermatoscópico para que seja feita a detecção precoce. 1

    No momento essa paciente encontra-se em seguimento clínico e dermatoscópico no ambulatório do Núcleo de Câncer de Pele e Dermatologia do Hospital AC Camargo.

    Referências

    1 . Menzies SW, Gutenev A, Avramidis M, Batrac A, McCarthy WH. Short- term digital surface microscopic monitoring of atypical or changing melanocytic lesions. Arch Dermatol. 2001:137(12):1583-9.

    2 . Haenssle HA, Krueger U, Vente C, Thoms KM, Bertsch HP, Zutt M, et al. Results from an observational trial: digital epiluminescence microscopy follow-up of atypical nevi increases the sensitivity and the chance of success of conventional dermoscopy in detecting melanoma. J Invest Dermatol. 2006;126(5):980-5.

    3 . Rezze GG; Sá BCS, Neves RI. Dermatoscopia: o método de análise de padrões. An Bras Dermatol. 2006;81(3):261-8..

    4 . Youn SH, Lee YW, Seung NR, Park EJ, Cho HJ, Kim KH, et al. Rapidly progressing malignant melanoma influenced by pregnancy. Int J Dermatol. 2010;49(11):1318-20.

    5 . Stensheim H. Malignant melanoma and pregnancy. Onkologie. 2009;32(12):715-6.

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