Sociedade Brasileira de Dermatolodia Surgical & Cosmetic Dermatology

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ISSN-e 1984-8773

Volume 3 Número 2


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Comunicações

Carcinoma basocelular pigmentado simulando lentigo maligno melanoma em paciente negra

Pigmented basal cell carcinoma mimicking a malignant lentigo melanoma in black female patient


Marcela Duarte Villela Benez1, Ana Luiza Furtado da Silva1, Gustavo Costa Veradino1, Solange Cardoso Maciel Costa Silva1

Médica dermatologista – Rio de Janeiro
(RJ), Brasil.1, Pós-graduanda do Hospital Universitário
Pedro Ernesto da Universidade Estadual
do Rio de Janeiro (UERJ) – Rio de Janeiro
(RJ), Brasil.2, Pós-graduando do Hospital Universitário
Pedro Ernesto da Universidade Estadual
do Rio de Janeiro (UERJ) – Rio de Janeiro
(RJ), Brasil.3, Doutora em dermatologia pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ) – Rio de Janeiro (RJ), Brasil.
Professora adjunta e chefe do Serviço de
Dermatologia do Hospital Universitário
Pedro Ernesto (UERJ) – Rio de Janeiro (RJ),
Brasil.4

Recebido em: 12/02/2010
Aprovado em: 14/06/2010

Trabalho realizado no Hospital Universitário Pedro Ernesto da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) – Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

Conflitos de interesse: Nenhum
Suporte financeiro: Nenhum

Correspondência:
Dra.Marcela Duarte Villela Benez
Rua Bom Pastor 551/401 – Tijuca
20521-060 – Rio de Janeiro – RJ
E-mail:mabenez@hotmail.com

 

Resumo

Relata-se caso de paciente negra com carcinoma basocelular pigmentado na região temporal que clinicamente mimetizava lentigo maligno melanoma. O carcinoma basocelular é raro em negros, porém, quando presente, torna-se a segunda neoplasia maligna de pele mais comum, sendo habitualmente pigmentado. Quando esses indivíduos têm a face acometida, o diagnóstico diferencial com o lentigo maligno melanoma é difícil. Nesses casos a dermatoscopia é grande aliada.

Palavras-chave: CARCINOMA BASOCELULAR, MELANOMA, DERMOSCOPIA

O carcinoma basocelular (CBC) é neoplasia maligna derivada de células não queratinizadas que se originam na camada basal da epiderme. Caso não seja tratado, pode apresentar invasão local e resultar em destruição tecidual substancial com comprometimento estético e funcional. Metástases são extremamente raras. Ocorre mais frequentemente em pessoas de pele clara, do sexo masculino e com mais de 40 anos. 1 Não é comum na raça negra, porém, nesses pacientes, o subtipo pigmentado é o mais usual, o que dificulta seu diagnóstico clínico e diferencial com outros tumores e torna a dermatoscopia grande aliada. 2-5

Relata-se caso de paciente do sexo feminino, negra, 77 anos, que procurou o serviço para avaliação de lesão na região temporal direita, surgida há aproximadamente dez anos, e cujo crescimento, há um ano, era progressivo.Ao exame clínico, apresentava mácula enegrecida, com diferentes cores e formato irregular, medindo aproximadamente 4 x 3cm em região temporal direita (Figura 1).

Após suspeita clínica de CBC ou lentigo maligno melanoma, foi realizada dermatoscopia, que revelou lesão enegrecida com folhas em bordo em sua periferia (Figuras 2 e 3). O exame histopatológico evidenciou células tumorais basaloides, com núcleos periféricos em paliçada e retração do colágeno estendendo-se pela epiderme. Foi visualizada melanina dentro do tumor, e o diagnóstico de CBC pigmentado superficial foi confirmado (Figura 4).

O CBC é raro na raça negra.Apenas 1,8% do total de casos ocorrem em negros, e isso se deve ao fato de essa população deter fotoproteção intrínseca, devido ao aumento da melanina epidérmica. 2-4 Dos cânceres de pele em negros, esse tumor é o segundo mais frequente. 2-4 Porém, indivíduos da raça negra, quando acometidos por algum tipo de câncer de pele, apresentam estágio avançado da doença e pior prognóstico o que consequentemente gera maior mortalidade ao se comparar com indivíduos da raça branca. Essa disparidade, provavelmente deve-se ao diagnóstico tardio ou por biologicamente apresentarem tumores mais agressivos. 2-4

A maioria das lesões de CBC é assintomática no momento do diagnóstico, sendo a apresentação clínica similar em todas as raças.Como a exposição solar é o fator etiológico mais envolvido, geralmente são acometidas áreas fotoexpostas, podendo raramente ocorrer em áreas fotoprotegidas. A lesão apresenta-se em geral como um nódulo, solitário, translucente que pode ulcerar. 1-4 Em negros, a pigmentação está presente em mais de 50% desses tumores, o que dificulta o diagnóstico, podendo gerar confusão com ceratose seborreica pigmentada, melanoma ou nevo melanocítico. 2-4 A paciente apresentava mácula enegrecida e assimétrica, sinais que clinicamente levam à suspeita de melanoma. Nesses casos, a dermatoscopia é valioso método complementar. Característica no CBC pigmentado, a mácula apresenta estruturas como folha de bordo e glóbulos ovoides; as telangectasias e os vasos arboriformes são mais difíceis de ser evidenciados. 5 A confirmação diagnóstica é através da histopatologia.

Portanto, é de extrema importância no Brasil, cuja população é tão miscigenada, o conhecimento da apresentação clínica dos tumores cutâneos em pacientes negros para correto diagnóstico e conduta terapêutica.

Referências

1 . Freedberg IM, Eisen AZ, Wolff K, Austen KF, Goldsmith LA, Katz SI, editors. Fitzpatrick''s Dermatology in General Medicine. 7th. New York: McGraw – Hill; 2008.

2 . Bradford PT. Skin Cancer in Skin of Color. Dermatol Nurs. 2009; 21(4):170-8.

3 . Jackson BA. Nonmelanoma Skin Cancer in Persons of Color. Semin Cutan Med Surg. 2009; 28(2):93-5.

4 . Gloster Jr HM,Neal K.Skin Cancer in Skin of Color. J Am Acad Dermatol. 2006; 55(5):741-60.

5 . Stoltz W e col. Atlas colorido de dermatoscopia. 2º ed. Rio de Janeiro: Di Livros; 2002.

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