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Artigo Original

Complicações na cirurgia dermatológica: estudo de série de casos

Luiz Roberto Dal Bem Pires Júnior1,2; Maira Mitsue Mukai1

DOI: https://doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180526

Fonte de financiamento: Não
Conflito de interesses: Não
Data de submissão: 19/11/2025
Decisão final: 9/4/2026
Como citar este artigo: Pires Júnior LRDB, Mukai MM. Complicações na Cirurgia Dermatológica: Estudo de Série de Casos. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(2):e20260525.


Abstract

INTRODUÇÃO: A cirurgia dermatológica é amplamente utilizada no tratamento de neoplasias cutâneas, mas complicações precoces e tardias seguem pouco relatadas, apesar do impacto funcional e estético.
OBJETIVO: Analisar complicações na cirurgia dermatológica, correlacionando-as com a técnica utilizada no reparo, a localização anatômica e o subtipo do tumor.
MÉTODOS: Estudo retrospectivo com 107 lesões de 86 pacientes submetidos à exérese de tumores cutâneos sob anestesia local entre maio de 2023 e março de 2024. Variáveis clínicas, histológicas e técnicas foram avaliadas. Complicações precoces (≤ 4 semanas) e tardias (1-6 meses) foram analisadas (SPSS v.29; p < 0,05).
RESULTADOS: A média de idade foi 73,3 anos, com 57% de mulheres. A face concentrou a maioria das lesões (69,2%) e o carcinoma basocelular foi o subtipo mais frequente (64,5%). O fechamento primário foi utilizado em 49,5% dos casos e retalhos em 44,9%. Complicações precoces ocorreram em 42,1%, sobretudo deiscências, e tardias em 13,1%, principalmente cicatrizes inestéticas. Retalhos apresentaram mais complicações precoces (53,7% vs. 30,2%) e tardias (25,9% vs. 1,9%). Lesões em membros inferiores tiveram alta taxa de eventos. Complicações precoces mostraram forte associação com intercorrências tardias (33,3% vs. 2,1%).
CONCLUSÕES: Complicações são frequentes e influenciadas pela técnica e localização. Técnicas complexas e eventos precoces aumentam o risco de desfechos tardios.


Keywords: Dermatologia; Neoplasias Cutâneas; Retalhos Cirúrgicos; Oncologia; Complicações Pós-Operatórias


INTRODUÇÃO

O câncer de pele é a neoplasia maligna mais comum no mundo, decorrente principalmente da exposição cumulativa à radiação ultravioleta (UV). 1-3

Classificam-se em melanoma e câncer de pele não melanoma (CPNM), sendo este último composto principalmente por carcinoma basocelular (CBC) e carcinoma espinocelular cutâneo (CEC), que juntos correspondem à maioria dos casos.4

A cirurgia dermatológica ambulatorial sob anestesia local é amplamente adotada e reconhecida por sua segurança e eficácia.5-8

Estudos multicêntricos demonstram taxas de complicações que variam de 1,6 a 12,7%, dependendo da complexidade do procedimento, da localização anatômica e dos fatores de risco do paciente.5-6,9

As complicações mais frequentes incluem deiscência da ferida operatória (3,3%), infecção do sítio cirúrgico (2,9-8,7%), hematoma e sangramento.5-6,10

A deiscência da ferida operatória representa uma complicação relevante, resultante da interação entre fatores mecânicos (como tensão excessiva, técnica de fechamento inadequada e descolamento inapropriado) e fatores fisiológicos, incluindo vascularização local, comorbidades e características do tumor excisado.6,11,12

A localização anatômica exerce papel fundamental na determinação do risco de complicações. Os membros inferiores apresentam risco até três vezes maior de infecção e complicações gerais devido à menor perfusão tecidual, à maior tensão cutânea e à dificuldade de drenagem linfática.13-15 Em contraste, o tronco apresenta as menores taxas de complicações, beneficiando-se de melhor vascularização e menor mobilidade.5,14 Já a face, embora frequentemente submetida a reconstruções complexas, apresenta resultados intermediários.10,16

O tamanho do defeito cirúrgico constitui um fator de risco independente para complicações. Defeitos maiores que 10 mm apresentam risco 1,52 vezes maior de complicações, enquanto defeitos superiores a 10 cm² elevam o risco de infecção em 3,64 vezes.5,13,15

O tipo tumoral também influencia o risco de complicações, sendo que CECs invasivos e in situ apresentando risco 2,96 vezes maior de infecção quando comparados a outras neoplasias cutâneas.13,17,18

Técnicas cirúrgicas adequadas são fundamentais para minimizar complicações. O descolamento apropriado pode reduzir a tensão de fechamento em até 83-92%, sendo essencial em fechamentos sob tensão.19-22 A sutura em camadas profundas é responsável pela maior parte da aproximação e eversão das bordas, reduzindo significativamente a tensão na sutura epidérmica e o risco de deiscência.23-26

Fatores relacionados ao paciente também influenciam os desfechos cirúrgicos. A idade avançada está associada a alterações na cicatrização devido a mudanças na composição e espessura da pele, diminuição da microcirculação e resposta imunológica comprometida.27-32 Imunossupressão e sexo masculino, por sua vez, são fatores de risco para infecção de sítio cirúrgico.13,33,34

O tempo operatório prolongado (≥ 38 minutos) também se associa a maior risco de complicações, possivelmente refletindo a complexidade do procedimento.5

Existe forte correlação entre complicações precoces e tardias. Pacientes que desenvolvem intercorrências no pós-operatório imediato apresentam probabilidade significativamente maior de desenvolver sequelas duradouras, como cicatrizes hipertróficas, retrações e alterações funcionais, destacando a importância do manejo rigoroso e precoce dessas complicações para evitar sua cronificação.10,35

Diante desse panorama, o presente estudo tem como objetivo analisar complicações pós-operatórias, controle tumoral, preservação funcional e resultados estéticos em pacientes submetidos à exérese de cânceres de pele, considerando diferentes técnicas reconstrutivas e regiões anatômicas, com base em dados obtidos no serviço ambulatorial de Dermatologia de um hospital universitário.

 

METODOLOGIA

Foi realizado um estudo retrospectivo observacional, utilizando dados de prontuários médicos e análises de imagens do banco de dados do serviço de Dermatologia de um hospital universitário. Foram selecionados os pacientes submetidos a exéreses de cânceres de pele seguidas de reconstrução em um único tempo cirúrgico, em caráter ambulatorial, sob anestesia local entre 10/05/2023 e 27/03/2024.

Foram incluídos pacientes de todas as faixas etárias e ambos os sexos, com registros completos das cirurgias realizadas, incluindo detalhes sobre as técnicas cirúrgicas utilizadas e as áreas corporais afetadas, que compareceram às reavaliações realizadas nos 6 meses subsequentes às cirurgias.

As complicações precoces, como deiscências, hematomas, infecções, necrose e sangramentos, foram monitoradas nas primeiras quatro semanas após o procedimento. Já as complicações tardias, observadas durante o acompanhamento de 6 meses, incluíram cicatrização anormal (cicatrizes hipertróficas, incompletas ou queloides), alterações estéticas (assimetria facial ou corporal, alteração da textura da pele, perda de funcionalidade) e alterações de sensibilidade.

Os dados foram organizados em planilha Excel® e analisados com o programa IBM SPSS Statistics v.29.0 (Armonk, NY: IBM Corp.). Os resultados de idade foram descritos por médias, desvio-padrão, mediana, mínimo e máximo. Para as variáveis categóricas, foram apresentadas frequências e percentuais. Para a avaliação da associação entre duas variáveis categóricas, foi utilizado o teste exato de Fisher ou o teste do qui-quadrado. Valores de p < 0,05 foram considerados estatisticamente significativos (Figura 1).

 

RESULTADOS

Foram analisadas 107 lesões de 86 pacientes submetidos a cirurgias dermatológicas ambulatoriais para exérese de neoplasias cutâneas. A maioria dos participantes (81,4%) apresentava apenas uma lesão, enquanto um único paciente teve quatro lesões tratadas durante o período do estudo.

A média de idade no momento da cirurgia foi de 73,3 anos (variando de 40 a 94 anos), com predominância de indivíduos acima de 60 anos (91,9%). Houve discreto predomínio do sexo feminino, correspondendo a 57% dos participantes.

Em relação às técnicas reconstrutivas empregadas, o fechamento primário foi o mais utilizado, aplicado em 49,5% das lesões (53 casos). Retalhos cutâneos foram utilizados em 44,9% dos casos (48 lesões), enquanto enxertos de pele foram empregados em 3,7% (4 lesões). Duas reconstruções envolveram o uso combinado de técnicas, incluindo retalho associado a enxerto ou a cicatrização por segunda intenção.

A distribuição anatômica das lesões demonstrou predomínio da face, com 74 casos (69,2%), seguida pelo tronco (10,3%), mãos (5,6%) e membros inferiores (4,7%). Outras localizações incluíram o couro cabeludo, os membros superiores e a região cervical, todas com frequência inferior a 4%.

Do ponto de vista histopatológico, o CBC foi o tipo mais prevalente, diagnosticado em 69 casos (64,5%), seguido pelo CEC em 26 casos (24,3%). O melanoma foi identificado em 6 casos (5,6%). Lesões de colisão (CBC + CEC) representaram 2,8% dos casos, enquanto carcinoma basoescamoso, carcinoma sebáceo e espiroadenoma écrino, corresponderam a um caso cada.

Margens cirúrgicas comprometidas foram observadas em 7,5% das lesões. Entre essas, duas tiveram comprometimento simultâneo de margens profundas e laterais, enquanto três apresentaram acometimento isolado de margens laterais e três, das profundas.

Complicações precoces

As complicações precoces ocorreram em 42,1% das lesões (45 casos). A deiscência foi a complicação mais comum, presente em 25,2% dos casos, seguida por hematomas (16,8%) e infecções (9,3%). O sangramento foi a complicação menos frequente, ocorrendo em apenas 3,7% das lesões (Figura 2).

As complicações precoces mostraram uma distribuição variável conforme a técnica cirúrgica empregada. Os retalhos apresentaram a maior taxa de complicações, com 54,2%, seguidos pelos enxertos, com 50%, e pelo fechamento primário, que teve a menor taxa, de 30,2%. Quando as técnicas foram agrupadas em fechamentos primários e fechamentos complexos (retalhos, enxertos e técnicas combinadas), observou-se uma taxa de complicações precoces de 30,2% para fechamentos primários, em comparação com 53,7% para fechamentos complexos. Essa diferença foi estatisticamente significativa (p = 0,019) (Tabela 1).

Em relação às áreas corporais, os membros inferiores apresentaram complicações em 100% das lesões tratadas, enquanto o tronco apresentou a menor taxa de complicações precoces (18,2%) (Tabela 1).

Entre os subtipos tumorais, o CBC foi o mais associado a complicações precoces (44,9%), seguido pelo CEC (38,5%) e pelo melanoma (16,7%). Entretanto, a comparação entre essas variáveis não evidenciou associação estatisticamente significativa (p = 0,376) (Tabela 1).

Complicações tardias

Complicações tardias foram menos frequentes, ocorrendo em 14,0% das lesões (15 casos). Entre estas, a cicatrização anormal foi a mais comum (46,7%), seguida por complicações estéticas (40%) e alterações de sensibilidade (6,7%).

As complicações tardias também apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre as técnicas utilizadas (p < 0,001), com taxas de 25,9% para fechamentos complexos em comparação com 1,9% para fechamentos primários. Entre as técnicas, os retalhos continuaram a apresentar a maior prevalência de complicações tardias, com 27,1%, seguidos pelos enxertos, com 25,0% (Tabela 2).

Em relação às áreas corporais, os membros inferiores novamente destacaram-se com 100% de complicações tardias. O couro cabeludo, os membros superiores e a região cervical, por outro lado, não apresentaram qualquer complicação tardia (Tabela 2).

Entre os subtipos tumorais, embora sem significância estatística (p = 0,396), o melanoma teve a maior taxa de complicações tardias (33,3%), seguido pelo CBC (14,5%) e pelo CEC (11,5%) (Tabela 2).

Além disso, pacientes com complicações precoces tiveram uma probabilidade maior de desenvolver complicações tardias (33,3%) em comparação aos pacientes sem complicações precoces (2,1%), com diferença estatisticamente significativa (p < 0,001) (Tabela 3).

 

DISCUSSÃO

Este estudo reforça a segurança e a efetividade dos procedimentos dermatológicos ambulatoriais para o tratamento de neoplasias cutâneas, ao mesmo tempo em que identifica fatores críticos associados ao desenvolvimento de intercorrências pós-operatórias.

O perfil demográfico observado, com 91,9% dos pacientes acima de 60 anos e discreto predomínio feminino (57%), é consistente com o padrão epidemiológico global de cânceres de pele, que afetam predominantemente indivíduos em faixas etárias mais avançadas devido ao efeito cumulativo da exposição solar e às alterações fisiológicas do envelhecimento.1-6

Perfil e magnitude das complicações precoces

A incidência de intercorrências no pós-operatório imediato foi de 42,1%, valor consideravelmente acima do intervalo de 1,6 a 12,7% relatado em grandes séries multicêntricas.6-8 A deiscência (25,2%) se destacou como a principal complicação e excedeu substancialmente os índices de 0,5 a 3,3% descritos previamente.5-7 Essa discrepância pode ser atribuída à maior complexidade das reconstruções executadas, à distribuição anatômica desfavorável das lesões tratadas e às características clínicas específicas da população atendida, como idade avançada, múltiplas comorbidades e reduzido acesso à atenção à saúde.

Tal complicação ocorre quando há desequilíbrio entre as forças mecânicas aplicadas ao tecido — incluindo tensão excessiva, técnica de descolamento subótima e método de sutura inadequado — e a capacidade fisiológica de cicatrização, influenciada por perfusão tecidual, por condições clínicas associadas e pela natureza da lesão removida.4,7,9,10 O fechamento por planos transfere a maior parte da carga mecânica para as camadas subdérmicas, aliviando significativamente a tensão sobre a sutura superficial e reduzindo o risco de separação das bordas.8,10,13,14

Outras intercorrências precoces incluíram hematomas (16,8%), infecções (9,3%) e sangramento (3,7%), todas com frequências superiores àquelas habitualmente relatadas na literatura especializada.5-7,12,14,15

Impacto da complexidade reconstrutiva e topografia anatômica

A análise comparativa revelou que reconstruções complexas (retalhos, enxertos e combinações) resultaram em 53,7% de complicações precoces, contrastando com os 30,2% observados em fechamentos diretos (p = 0,019).5-7 Essa disparidade reflete o maior trauma tecidual, a duração cirúrgica prolongada e os requisitos técnicos mais rigorosos necessários para assegurar perfusão adequada e resultado funcional satisfatório (Figura 3).5,6

A topografia das lesões demonstrou influência determinante sobre os desfechos. Os membros inferiores apresentaram complicações em 100% dos casos, confirmando dados que indicam risco três vezes maior de infecção e outras intercorrências nessa região, atribuído à irrigação sanguínea limitada, à tensão cutânea elevada e à drenagem linfática comprometida.14-16 Em comparação, o tronco exibiu as menores taxas de complicações precoces (18,2%).6,15 A região facial apresentou resultados intermediários, beneficiando-se de sua rica rede vascular (Figura 4).5,17

Complicações tardias e sua relação com eventos iniciais

Complicações tardias ocorreram em 14% dos pós-operatórios, predominando alterações cicatriciais anormais (46,7%) e comprometimento estético (40%). A análise por técnica reconstrutiva revelou diferença estatisticamente significativa, com 25,9% de complicações tardias em reconstruções complexas versus 1,9% em fechamentos diretos.5

A associação robusta entre intercorrências precoces e tardias constitui achado de particular relevância clínica. Pacientes que apresentaram complicações no período inicial tiveram probabilidade marcadamente maior de desenvolver sequelas persistentes (33,3% vs. 2,1%; p < 0,001), enfatizando a necessidade de intervenção precoce e rigorosa para prevenir cronificação dessas alterações.4,5 Eventos como deiscência, coleções hemáticas e infecção no período inicial podem comprometer o processo reparativo, culminando em sequelas permanentes, como cicatrizes hipertróficas, contrações teciduais e déficits funcionais.4,9,10

Mais uma vez, os membros inferiores demonstraram 100% de complicações tardias, reforçando a vulnerabilidade particular dessa região.14-16

Influência do tipo histológico e outros determinantes de risco

Embora o estudo não tenha encontrado uma associação estatisticamente significativa entre o subtipo tumoral e as complicações, o melanoma impõe desafios únicos. Suas ressecções amplas, muitas vezes realizadas contra as linhas de força cutâneas, aumentam o risco de complicações tardias, presentes em 33,3% dos casos, seguidos por CBC (14,5% tardias; 44,9% precoces) e CEC (11,5% tardias; 38,5% precoces).

Limitações do estudo

Este estudo possui limitações inerentes ao seu desenho retrospectivo, à realização em única instituição e à possível variabilidade técnica entre cirurgiões. O número limitado de casos envolvendo neoplasias raras ou complicações graves restringiu as análises estatísticas em subgrupos específicos. Investigações futuras, com desenho prospectivo e multicêntrico, envolvendo amostras maiores, serão necessárias para validar e ampliar estes achados

 

CONCLUSÃO

Os desfechos da cirurgia dermatológica no câncer de pele resultam da interação entre fatores anatômicos, técnicos e oncológicos. Diferenças entre áreas anatômicas e reconstruções complexas aumentaram as complicações, enquanto eventos precoces foram preditivos de intercorrências tardias. As diferenças entre subtipos tumorais impuseram exigências técnicas e riscos distintos. Assim, a escolha reconstrutiva deve considerar não apenas a remoção tumoral, mas também a anatomia, o subtipo tumoral e o impacto funcional e estético.

 

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES:

Luiz Roberto Dal Bem Pires Júnior
ORCID: 0009-0001-6728-420X
Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.
Maira Mitsue Mukai
ORCID:0000-0002-4591-8451
Concepção e planejamento do estudo, Revisão crítica da literatura

 

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