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Cartas ao editor

Um comentário sobre: Lifting transfolicular subcutâneo do terço superior da face

Ana Paula de Araújo Raimundo; Hudson Dutra Rezende; Sandra Lopes Mattos Dinato

DOI: https://doi.org/10.5935/scd1984-8773.2026180516

Fonte de financiamento: Nenhuma
Conflito de interesse: Nenhum
É ensaio clínico? Não
Data de submissão: 24/09/2025
Decisão final: 10/15/2025
Como citar este artigo: Como citar este artigo: Raimundo APA, Rezende HD, Dinato SLM, Bilia BM. Um comentário sobre: lifting transfolicular subcutâneo do terço superior da face. Surg Cosmet Dermatol. 2026;18(1):e20260516.


Abstract

Esta correspondência comenta o recente artigo que descreve a técnica de lifting transfolicular subcutâneo do terço superior da face. A alopecia é uma complicação potencial desses procedimentos, variando desde eflúvio telógeno reversível até formas cicatriciais permanentes. Embora rara, a perda de cabelo pode impactar significativamente a satisfação dos pacientes. Mesmo técnicas minimamente invasivas apresentam algum risco. A abordagem transfolicular oferece rejuvenescimento facial com abaixamento da linha capilar, melhora das rítides e camuflagem eficaz da cicatriz por meio da preservação dos folículos anteriores. Enfatizamos a importância do aconselhamento pré-operatório transparente e buscamos enriquecer a discussão iniciada pelo artigo original.


Keywords: Alopecia. Procedimentos Cirúrgicos Dermatológicos. Complicações Pós-Operatórias. Ritidoplastia


Um comentário sobre: Lifting transfolicular subcutâneo do terço superior da face

Resumo

Esta correspondência comenta o recente artigo que descreve a técnica de lifting transfolicular subcutâneo do terço superior da face. A alopecia é uma complicação potencial desses procedimentos, variando desde eflúvio telógeno reversível até formas cicatriciais permanentes. Embora rara, a perda de cabelo pode impactar significativamente a satisfação dos pacientes. Mesmo técnicas minimamente invasivas apresentam algum risco. A abordagem transfolicular oferece rejuvenescimento facial com abaixamento da linha capilar, melhora das rítides e camuflagem eficaz da cicatriz por meio da preservação dos folículos anteriores. Enfatizamos a importância do aconselhamento pré-operatório transparente e buscamos enriquecer a discussão iniciada pelo artigo original.

 

Prezado Editor,

Gostaríamos de parabenizar Gouveia et al. por sua descrição elegante e bem ilustrada do lifting transfolicular subcutâneo da testa e sobrancelhas, técnica que combina rejuvenescimento estético do terço superior da face com dissecção segura e excelente camuflagem da cicatriz no couro cabeludo.1 Ao possibilitar o rebaixamento da linha capilar, a melhoria das rítides frontais e glabelares e o reposicionamento harmônico das sobrancelhas, esse método representa uma alternativa prática e inovadora às abordagens endoscópicas, particularmente em pacientes com maior densidade capilar na região frontotemporal. A ênfase na relação custo-efetividade e na reprodutibilidade técnica constitui outra contribuição valiosa, o que torna o procedimento acessível em diferentes contextos clínicos.

No entanto, acreditamos ser importante ampliar a discussão sobre alopecia pós-operatória em pacientes submetidos a procedimentos de lifting do terço superior da face. Embora geralmente uma complicação infrequente, o espectro clínico da alopecia após lifting cirúrgico é mais amplo do que se costuma reconhecer, variando desde formas transitórias e autolimitadas até alopecias permanentes e cicatriciais.

Em 2015, Kim et al. relataram um caso de eflúvio telógeno localizado pós-ritidectomia, com início dois meses após o procedimento e rarefação capilar simétrica ao longo das linhas de incisão. A biópsia revelou densidade folicular normal, porém com aumento da proporção de folículos telógenos, sem inflamação peribulbar ou cicatrização.2 A paciente apresentou recrescimento capilar espontâneo completo em quatro meses, sem necessidade de tratamento. Essa apresentação benigna e reversível contrasta com os desfechos mais graves descritos por Pham et al. em 2022, que demonstraram associação significativa entre procedimentos cirúrgicos faciais (incluindo ritidectomia, blefaroplastia e lifting de sobrancelhas) e alopecia fibrosante frontal.3 Nessa coorte, quase metade dos pacientes com alopecia frontal relatou cirurgia facial prévia, em comparação com menos de 10% dos controles, com razão de chances de 7,8. A latência média entre a cirurgia e o início da alopecia foi de nove anos, embora tenham sido relatados casos já a partir de três meses após o procedimento. O padrão clínico e a histologia, quando disponíveis, foram compatíveis com alopecia cicatricial linfocítica do espectro do líquen plano pilar.

Além disso, Cho et al. realizaram uma revisão sistemática envolvendo mais de 7.000 pacientes e identificaram a alopecia como uma das complicações mais frequentes das técnicas de lifting de sobrancelhas, com prevalências de 2,8% no método endoscópico, 2,2% na abordagem coronal e 0,8% nos liftings temporal e lateral.4 Embora geralmente localizada, a alopecia nesse contexto ainda pode representar um resultado cosmético negativo relevante, especialmente em casos de cicatrização ou perda capilar permanente.

A técnica apresentada por Gouveia et al. destaca-se pelo planejamento cuidadoso da incisão. Ao incliná-la de modo a seccionar os folículos em diferentes alturas, parte dos folículos pilosos é preservada, permitindo que os fios anteriores cresçam à frente da cicatriz e proporcionem camuflagem eficaz. Além de melhorar o resultado estético, esse refinamento também minimiza o risco de alopecia visível no local da incisão.

Em conjunto, esses relatos enfatizam a heterogeneidade das apresentações de alopecia após procedimentos cirúrgicos de lifting e ressaltam a necessidade de vigilância quanto a possíveis novas manifestações. Dado o impacto psicossocial da perda de cabelo, essa possibilidade deve ser discutida em detalhes com os pacientes durante o aconselhamento pré-operatório. Embora o risco seja baixo, a transparência quanto à possibilidade de alopecia transitória ou permanente garante melhor conscientização dos pacientes e pode melhorar a satisfação ao alinhar as expectativas com os possíveis desfechos.

Mais uma vez, parabenizamos os autores por sua valiosa contribuição e esperamos que essa perspectiva adicional enriqueça ainda mais o debate sobre complicações na cirurgia de lifting de sobrancelhas.

 

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES:

Ana Paula de Araújo Raimundo
ORCID
0000-0003-0883-0474
Análise estatística, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados.
Hudson Dutra Rezende
ORCID
0000-0002-7039-790X
Análise estatística, Concepção e planejamento do estudo, Participação efetiva na orientação da pesquisa.
Sandra Lopes Mattos Dinato
ORCID
0000-0002-4547-0474
Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados.
Bruna Marques Bilia
ORCID
0009-0003-9550-5406
Análise estatísticas, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados.

 

REFERÊNCIAS:

1. Gouveia AK, Loda G, Benez M, Loda AB. Transfollicular subcutaneous forehead and brow lift. Surg Cosmet Dermatol. 2025;17:e20250372.

2. Kim JH, Lew BL, Sim WY. Localized telogen effluvium after face lift surgery. Ann Dermatol. 2015;27(1):119–20.

3. Pham CT, Juhasz M, Ekelem C. The association of frontal alopecia with a history of facial and scalp surgical procedures. Skin Appendage Disord. 2022;8:13–19.

4. Cho MJ, Carboy JA, Rohrich RJ. Complications in brow lifts: a systematic review of surgical and nonsurgical brow rejuvenations. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2018;6:e1943.


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