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Descrição teórica de protocolo de anestesia local com estratégias não farmacológicas para procedimentos dermatológicos em crianças

João Paulo Turri Brufatto; Marina Gagheggi Maciel; Adriana Salath Schikiera Martinelli; Giovanna Silva Barbosa; Thiago Jesse Kucarz; Luiz Roberto Dal Bem Pires Júnior; Renata Ferreira Magalhães; Thais Helena Buffo; Andréa Fernandes Eloy da Costa França; Elisa Nunes Secamilli

DOI: https://doi.org/10.5935/scd1984-8773.2025170478

Fonte de financiamento: Nenhuma
Conflito de interesses: Nenhum
Data de submissão: 28/05/2025
Decisão final: 11/09/2025
Como citar este artigo: Brufatto JPT, Maciel MG, Martinelli ASS, Barbosa GS, Kucarz TJ, Pires Júnior LRDB, Magalhães RF, França AFEC, Buffo TH, Secamilli EN. Descrição teórica de protocolo de anestesia local com estratégias não farmacológicas para procedimentos dermatológicos em crianças. Surg Cosmet Dermatol. 2025; 17:e20250478.


Abstract

O manejo da dor e da ansiedade em procedimentos dermatológicos pediátricos é um tema muito importante na medicina. A biópsia de pele pode gerar estresse e desconforto em crianças e prejudicar o vínculo dos profissionais de saúde com os pacientes e seus cuidadores. Este estudo descreve um protocolo de anestesia local baseado em técnicas não farmacológicas, composto de explicação prévia, apoio parental, distração visual e uso de gelo ou vibração antes da anestesia farmacológica. A aplicação do protocolo pode reduzir a percepção de dor e ansiedade, além de promover um cuidado seguro, de baixo custo e baixa densidade tecnológica.


Keywords: Dermatologia; Anestesia Pediátrica; Biópsia; Dor


INTRODUÇÃO

A dor e a ansiedade são aspectos fundamentais da experiência médica na população pediátrica, com impacto direto na adesão no tratamento, na longitudinalidade e na qualidade dos cuidados prestados.1 A atenção a esses fatores é essencial para assegurar um ambiente mais seguro e humanizado,1 especialmente em procedimentos invasivos, como as biópsias de pele.2

A dor é definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a dano físico real ou potencial.3 Essa percepção da dor pode ser intensificada por fatores psicossociais, como ansiedade, medo do desconhecido e sensação de vulnerabilidade.4 Procedimentos dermatológicos, como biópsias de pele, muitas vezes provocam uma resposta de ansiedade descontrolada, o que torna fundamental a adoção de estratégias eficazes para reduzir o sofrimento tanto das crianças quanto de seus cuidadores durante procedimentos médicos.5,6

A saúde mental infantil é um fator relevante a ser considerado, pois pode comprometer a experiência imediata do procedimento e influenciar negativamente a longitudinalidade do atendimento no sistema de saúde.7,8 Crianças submetidas a procedimentos dolorosos sem o devido suporte emocional podem desenvolver medos e traumas relacionados a consultas médicas, prejudicando a adesão a tratamentos necessários.7,8 Além disso, a dor manejada de forma inadequada pode resultar em modificações neurofisiológicas com o passar do tempo, aumentando a sensibilidade à dor em eventos futuros e afetando a percepção da criança sobre cuidados de saúde.7,8 Assim, estratégias que visam minimizar a dor e a ansiedade são fundamentais para promover um atendimento mais humanizado e melhorar a experiência da criança em relação ao cuidado da própria saúde.9

A abordagem multidisciplinar no manejo da dor pediátrica é um tema presente na literatura, combinando intervenções lúdicas e técnicas não farmacológicas.5,6,9 Contudo, o desenvolvimento de protocolos estruturados ainda é raro no meio científico. A elaboração de guias para procedimentos dermatológicos na pediatria pode ser uma contribuição importante para melhores desfechos clínicos e emocionais em crianças submetidas a procedimentos invasivos, com as biópsias de pele, e pode levar a novas pesquisas na área.

Diversos estudos indicam que a combinação de anestesia local com métodos não farmacológicos, associada a técnicas de distração e apoio emocional, pode reduzir significativamente a dor e o desconforto em crianças submetidas a procedimentos invasivos. O presente estudo teve como objetivo descrever um protocolo de anestesia local baseado em terapias não farmacológicas, utilizando estratégias de distração sensorial e apoio emocional para procedimentos de biópsia de pele em crianças. A intenção é reduzir a percepção de dor, minimizar a ansiedade e melhorar a colaboração do paciente pediátrico, proporcionando uma experiência mais humanizada.

 

METODOLOGIA

Foi realizada uma revisão narrativa da literatura utilizando as bases de dados PubMed, Scopus e SciELO. Foram selecionados artigos publicados nos últimos 5 anos, utilizando os seguintes descritores em inglês (MeSH terms): “pediatric OR children OR child OR neonatal”, “pain management” e “non-pharmacology anesthesia”. Os critérios de inclusão compreenderam estudos clínicos, revisões sistemáticas e meta-análises sobre estratégias de manejo da dor e da ansiedade em crianças durante procedimentos cirúrgicos. Foram excluídos estudos com amostras exclusivamente adultas ou que abordavam apenas anestesia farmacológica, sem a integração de estratégias não farmacológicas. A Figura 1 resume os resultados da pesquisa.

Com base nos dados coletados, foi elaborado um protocolo estruturado para anestesia local para crianças submetidas a biópsias de pele, incorporando abordagens psicológicas e sensoriais.

 

RESULTADOS

O protocolo elaborado compreende quatro etapas. A primeira consiste em fornecer explicações claras e adequadas à faixa etária sobre o procedimento, contemplando tanto a criança quanto seus responsáveis.9,10,11 As orientações devem ser apresentadas de forma lúdica e acessível, utilizando recursos como histórias, bonecos, desenhos ou livros ilustrados, com o intuito de desmistificar a experiência e reduzir a ansiedade relacionada ao procedimento. 9,10,11 A segunda corresponde ao estímulo ao apoio parental, com a permanência do responsável ao lado da criança durante a intervenção, favorecendo o contato físico e verbal como estratégia para aumentar a sensação de segurança emocional.12,13 A terceira envolve a adoção de estratégias de distração visual e auditiva, como o uso de dispositivos eletrônicos para assistir a vídeos ou ouvir histórias, auxiliando na diminuição do foco no procedimento e na consequente redução do estresse.9,14,15 Por fim, a quarta etapa se refere à aplicação de medidas de modulação sensorial, incluindo a utilização prévia de gelo ou de dispositivos vibratórios na área da biópsia, com o objetivo de minimizar a percepção dolorosa associada à infiltração do anestésico local.16,17

O protocolo está resumido na Figura 2. A Figura 3 ilustra as ferramentas utilizadas em nosso hospital para aplicação do gelo em (A) e da vibração em (B).

 

DISCUSSÃO

A implementação de estratégias lúdicas tem sido amplamente estudada e recomendada para pacientes pediátricos em contextos intensivos e oncológicos como métodos eficazes para aliviar a ansiedade infantil e melhorar a adesão ao tratamento.18,19,20 A utilização dessas estratégias permite à criança maior controle sobre sua experiência, compreensão da dor além do conceito exclusivamente físico, reduz o medo e proporciona um ambiente mais acolhedor.19

O apoio emocional, incluindo o incentivo verbal e o contato físico dos pais, é essencial para que a criança se sinta segura.21 Estudos mostram que a presença e o contato físico dos pais podem reduzir os níveis de cortisol, reduzindo a resposta fisiológica ao estresse.21 Além disso, o preparo prévio e a explicação clara sobre o procedimento aos pais e aos pacientes, adequada à faixa etária, podem ajudar a diminuir as incertezas dos procedimentos, promovendo uma experiência mais tranquila para as crianças.22,13

Muitos centros de saúde de todo o mundo enfrentam dificuldades para realizar procedimentos sob anestesia geral em crianças devido à indisponibilidade de infraestrutura para a anestesia, de sedativos endovenosos ou de especialistas habilitados.23 Isso pode ser um obstáculo importante para a investigação de doenças dermatológicas graves, como genodermatoses ou doenças autoimunes, que requerem exame anatomopatológico para um diagnóstico correto.24,25 O protocolo descrito neste estudo oferece uma solução fácil, acessível e de baixo custo para viabilizar diagnósticos dermatológicos, permitindo que serviços sem infraestrutura hospitalar de alta complexidade avancem na investigação de casos complexos.

Além disso, a abordagem proposta pode contribuir para a adesão da família ao tratamento, já que um procedimento conduzido de maneira adequada pode fortalecer o vínculo com a equipe e reduzir a resistência da criança e de seus responsáveis ao cuidado dos profissionais de saúde.13,25 Isso tem um impacto direto na longitudinalidade dos cuidados, promovendo um seguimento clínico mais integral e potencialmente reduzindo a necessidade de intervenções desnecessárias no futuro.1,9

A combinação de técnicas não farmacológicas no manejo da dor pediátrica também pode auxiliar na construção de uma relação mais positiva entre as crianças e os profissionais de saúde.20 Crianças que vivenciam uma abordagem cuidadosa e humanizada tendem a desenvolver mais confiança na equipe médica, o que facilita o cuidado no longo prazo e promove uma atenção mais holística à saúde dos pacientes e de seus cuidadores nos serviços de saúde, sejam eles primários, secundários ou terciários.27,28,29,30

 

CONCLUSÃO

A combinação de gelo ou vibração local com estratégias de distração e apoio emocional é uma alternativa eficaz para minimizar a dor e a ansiedade em crianças submetidas a biópsias de pele. O protocolo proposto neste estudo pode ser utilizado em serviços dermatológicos gerais, oferecendo uma abordagem baseada em evidências para o manejo da dor pediátrica. Estudos futuros são necessárias para avaliar sua eficiência com métricas objetivas de dor e conforto infantil, tempo e área corporal da aplicação do gelo, contribuindo para o avanço da assistência dermatológica pediátrica.

 

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES:

João Paulo Turri Brufatto
ORCID: 0000-0001-9752-377X
Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.
Marina Gagheggi Maciel
ORCID: 0000-0001-6077-4209
Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Participação efetiva na orientação da pesquisa.
Adriana Salath Schikiera Martinelli
ORCID: 0000-0001-6723-9188
Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Revisão crítica do manuscrito.
Giovanna Silva Barbosa
ORCID: 0000-0001-7217-2862
Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.
Thiago Jesse Kucarz
ORCID: 0009-0000-7339-3026
Revisão crítica da literatura.
Luiz Roberto Dal Bem Pires Júnior
ORCID: 0009-0001-6728-420X
Elaboração e redação do manuscrito, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados.
Renata Ferreira Magalhães
ORCID: 0000-0001-9170-932X
Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo
Andréa Fernandes Eloy da Costa França
ORCID: 0000-0003-1657-4570
Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo.
Thais Helena Buffo
ORCID: 0000-0002-6833-7596
Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo
Elisa Nunes Secamilli
ORCID: 0000-0001-9036-4200
Análise estatística, Aprovação da versão final do manuscrito, Concepção e planejamento do estudo, Elaboração e redação do manuscrito, Obtenção, análise e interpretação dos dados, Participação efetiva na orientação da pesquisa, Participação intelectual em conduta propedêutica e/ou terapêutica de casos estudados, Revisão crítica da literatura, Revisão crítica do manuscrito.

 

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