RESUMO
Relatamos o caso de um paciente apresentando carcinoma basocelular nodular ulcerado de 3 cm de diâmetro na região frontal, à esquerda, atingindo a metade medial do supercílio. A lesão foi excisada e a reconstrução, realizada com retalhos de avanço em H. A região esquerda incluiu o restante do supercílio, sendo maior do que a contralateral. Assim, mantiveram-se a harmonia e a simetria das regiões superciliares e glabelar. As cicatrizes fi caram pouco perceptíveis por estarem posicionadas nas linhas de expressão. O paciente permanece sem lesões após dois anos de acompanhamento.
Palavras-chave: ONCOLOGIA CUTÂNEA , CIRURGIA DERMATOLOGICA , CARCINOMA BASOCELULAR ,
INTRODUÇÃO
O carcinoma basocelular é o tumor maligno que, com mais frequência, acomete os seres
humanos, notadamente os de pele clara. A localização mais comum é a face, em especial o nariz.
Na maioria das vezes, tem crescimento lento e baixo poder metastatizante, mas, se o tratamento
for negligenciado, pode atingir grandes dimensões e provocar sérias deformidades, principalmente
quando ulcerado. Sempre que possível, após a excisão, deve ser feita a reconstrução com a
cicatriz o mais imperceptível possível.1 Apresenta-se aqui um caso de paciente com lesão frontal
e superciliar, submetido à excisão e à reconstrução com resultado estético favorável.
CASO
Paciente masculino de 72 anos, caucasiano, comerciante aposentado, procurou atendimento
dermatológico com queixa de nódulo ulcerado na região frontal, que se estendia até o supercílio
e sangrava aos mínimos traumas. Ao exame dermatológico, constatou-se a presença de
tumoração perolada, ulcerada, com limites externos bem defi nidos e aproximadamente 3 cm de
diâmetro, localizada na região frontal, à esquerda. O terço inferior da lesão acometia a metade
medial do supercílio (Figura 1).
O exame histopatológico da biópsia por punch mostrou tratar-se de um carcinoma basocelular
de padrão nodular. A lesão foi excisada em regime ambulatorial, com controle intraoperatório de margens, sob anestesia local. Devido às dimensões
do defeito resultante (diâmetro = 4 cm) e à sua localização, a
melhor opção para a reconstrução foi a utilização de um retalho.
Optou-se inicialmente por um retalho de avanço simples,
com pedículo à esquerda, que permitiria reconstruir a porção
superciliar removida. Porém, este procedimento não foi sufi
ciente para o fechamento, confeccionando-se um segundo
retalho de avanço contralateral de modo que não ocorresse
assimetria importante na região glabelar. Por esse motivo, o
novo retalho teve uma dimensão bem menor que o primeiro
(Figura 2). As incisões foram posicionadas nas linhas de rugas,
mantendo-se o bisturi paralelo aos folículos pilosos, para evitar
a sua transecção.
RESULTADO
A sutura foi removida após sete dias e não foram observadas
complicações no período pós-operatório. O paciente retornou
para seguimento seis meses depois da cirurgia, quando se observou
bom resultado estético com manutenção do posicionamento
e simetria da sobrancelha. Ele vem sendo acompanhado,
a cada 6 meses, e após 2 anos não apresenta leões.
DISCUSSÃO
Os supercílios são importantes estruturas anatômicas e
estéticas da face. Protegem as pálpebras e o globo ocular de
injúrias mecânicas. Têm diferentes características nos sexos
feminino e masculino, caracterizando-se, neste último, pelo
formato retilíneo e posição baixa, no nível do rebordo orbital
superior. Sua perda parcial pode levar a uma importante alteração
estética da face. Quando lesões cutâneas, principalmente
as malignas, acometem essa área, o processo reconstrutivo é
delicado, por exigir, além da excisão de toda a espessura da
pele e subcutâneo, a manutenção da simetria e a uniformidade
de posição das sobrancelhas.2 A sutura direta é inexequível
em situações de grandes perdas e a utilização de enxertos
livres nessa área não permite manter o aspecto natural
da sobrancelha, tornando o uso de retalhos a melhor opção.
As seguintes possibilidades podem ser cogitadas: retalho em
ilha supraorbital,3 retalho periglabelar4 e o clássico retalho de
avanço, uni ou bilateral.5 A opção pelo último, no caso descrito,
deveu-se ao fato de que, ao ser incluído no retalho todo
o supercílio remanescente, pôde-se avançar e posicioná-lo na
área excisada, mantendo-se a coloração e textura da pele, além
da direção e aspecto dos pelos regionais. O segundo retalho de
avanço contralateral permitiu que houvesse uma aproximação
das bordas sem tensão, com ausência de distorções na região
glabelar. A vantagem adicional deste tipo de reconstrução é
permitir que as incisões sejam posicionadas nas linhas de rugas,
tornando-as menos perceptíveis.6
CONCLUSÕES
Apesar da grande dimensão, da localização e do aspecto
clínico do tumor, com a utilização de dois retalhos de avanço
em H foi possível excisar toda a lesão, com margem de segurança
sufi ciente e realizar uma reconstrução estética e sem
distorções do supercílio e da glabela.